Quando fui a Paraty, para o festival de jazz do ano passado, mandei no email para amigos e família o seguinte trecho:
“Enquanto eu conhecia o chopp Caborê, produzido na própria cidade, um trio de músicos andinos começou a tocar canções latino-americanas na flautinha e violão. Uma mistura de Jethro Tull com flamenco. No final, passaram vendendo o CD da banda (“Amillarai”) e, como eu estava sem dinheiro, ofereci duas cervejas em troca (R$ 6, bom negócio). Daí eles se sentaram na mesa com a gente e começaram a contar a maravilhosa vida itinerante que levam (não são hippies, parecem mais aqueles ciganos nômades de filme europeu). No final, a gente já estava trocando dicas de músicas e de lugares para ser visitados (anotem aí a dica de bandas que puseram no meu guardanapo: Illapu, Los Jaivas — essa eu já conhecia por causa do Augusto –, Inti-illimani, Quila Payun e Victor Jara — este último é considerado um herói da resistência chilena, ai, como somos ignorantes na história deste continente…!).”
É isso: aqueles nômades dos países vizinhos me mostraram como há um mundo inexplorado, em paisagens e músicas, a conhecer aqui por perto.
Minha amiga Naty, que é uma aventureira nata, já conheceu boa parte deles, em viagens pela Bolívia, Peru, Amazonas e, mais recentemente, Argentina.
Hoje ela voltou da Patagônia e me entregou um presente que é a minha cara: um CD de uma banda chamada La Fragua que toca músicas dos Beatles com instrumentos inusitados como sikus, charangos, ronrocos, toyos, cajóns e outros.
E eles mostram que a ignorância em relação aos vizinhos é um problema mais dos brasileiros do que dos hablantes de lengua española, já que, como os caras que conheci em Paraty, sabem muito da nossa música. A versão de Julia, por exemplo, começa com o Samba de uma nota só, do Tom Jobim.
De um modo geral, as versões ficaram delicadas, bem gostosas de ouvir. Tipo esta do Blackbird, que não tem no CD, mas achei no Youtube:





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