Um livro de ‘contação de causos pessoais’ que eu já quero muito ler

silvia

Os geniozinhos do Facebook criaram um algoritmo que faz com que a gente veja com mais frequência aquelas pessoas que eles já sacaram que a gente gosta de ler. E, toda vez que eu abro minha página inicial do Face, quem aparece bem no alto, às vezes alternada com o Antonio Prata, é sempre a Sílvia Amélia. Significa, né?

oficinaJá falei dela algumas vezes aqui no blog, sempre para indicar um dos vários textos que ela escreve com a maior fluidez do universo em sua página de Facebook. Sabe a Marisa Monte cantando? Não parece que aquele vozeirão sai sem esforço nenhum, sem nenhuma veia estourando no pescoço? É assim que imagino a Sílvia escrevendo: ela se senta diante do teclado e o texto sai sem qualquer esforço, em todos os tons de voz possíveis, de uma Marisa Monte a uma Ella Fitzgerald.

Ela já é escritora e está se tornando uma verdadeira celebridade nesta rede social, em que divide desde opiniões políticas polêmicas até suas histórias mais singelas de amor, passando pelos “causos” mais prosaicos que podem envolver um telefonema ou uma bota perdida no meio da rua ou uma pessoa encontrada dentro de um ônibus. Continuar lendo

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Crônicas do fim do mundo — no trânsito

Existe uma coisa que o Código de Trânsito Brasileiro garante e que parece que o pessoal ignora: todas essas vias que permeiam a cidade, que chamamos de ruas e avenidas, devem ser COMPARTILHADAS. Entre carros, ônibus, caminhões, bicicletas e, sim, pedestres também.

Os pedestres têm preferência nas faixas, que funcionam como uma extensão das calçadas, e também em ruas onde elas não existem. E têm que cumprir certas normas também, claro, como todo veículo. Já abordei isso AQUI.

O importante é que TODOS têm direitos e deveres nas vias e devem saber COMPARTILHÁ-LAS. Por exemplo, as calçadas não são só dos pedestres. Os carros podem passar por elas ao entrar nas garagens. Mas, como os pedestres têm prioridade sobre os carros (a norma é lógica: os mais fracos sempre têm prioridade), eles precisam esperar que os pedestres acabem de passar pela garagem antes de invadir o espaço da calçada.

Até as bicicletas podem circular nas calçadas, desde que a no máximo 6km/h, de acordo com o Contran.

O que eu acho o fim do mundo é que os donos de CARROS se acham donos das ruas. Acham que têm preferência sobre ônibus, sobre caminhões, sobre bicicletas e sobre pedestres. Não raro invadem a contramão nas estradas, em locais de ultrapassagem proibida, causando acidentes graves de batidas em sentidos opostos, só porque ficam nervosinhos ao andarem atrás de um caminhão pesado e lento. Se sentem tão cheios de direitos que ficam à vontade para burlar as normas de trânsito, portanto.

Não vou abordar de novo a questão dos pedestres. Hoje deixo aqui no blog, como exemplo de fim de mundo, a impaciência que os carros têm com os carroceiros.

Sim, porque o código também prevê o compartilhamento com carroças, com carrinhos de mão, com os homens-carroça que vemos nas vias mais movimentadas de todas as cidades, cumprindo a penosa missão de ajudar na reciclagem do lixo que todos nós fabricamos diariamente.

Mas o dono do carro, aconchegado em seu conforto de ocupação média de 1,4 pessoas por veículo, já se achando com mais direitos que o ônibus com mais de cem passageiros, não raro buzina, impaciente, achando um absurdo ter que ficar uns minutinhos parado para a passagem do homem-carroça, ou ter que andar mais lentamente até que seja possível desviar dele com segurança.

Não raro esses donos de carros, além de buzinar, reclamar e xingar os trabalhadores das carroças, tiram fino deles, os atropelam, passam por cima de seus papelões.

E fazem, com isso, um verdadeiro papelão.

Porque esses senhores são, muitas vezes, moradores de rua, e trabalham o dia inteiro, um trabalho bastante sacrificante, que paga muito mal, carregando uma mercadoria que fica pesadíssima ao longo do dia, debaixo de sol de rachar, subindo e descendo ladeira, e tendo que correr riscos por causa da intolerância desses motoristas.

Eu acho que todo mundo deveria, algum dia, carregar uma carroça daquelas no lombo, num trânsito insano como o paulistano. Talvez assim aprendêssemos noções de convivência e respeito, inclusive com os demais veículos.

Bom, pra encerrar essa série de crônicas do fim do mundo de uma maneira mais otimista (porque o desânimo que os causadores do fim do mundo me trazem não derruba meu otimismo nato! :D), termino com uma iniciativa MUITO legal, do site Catarse, que é resumida no vídeo abaixo: