- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Não devorei este livro com a mesma voracidade com que li “O Que Resta de Nós“, da mesma autora.
Foi a segunda obra de Virginie Grimaldi que peguei emprestada na biblioteca para conhecer, mas levei bem mais do que três dias para ler tudo.
Não sei se é porque neste ano tenho lido mais devagar, com muito trabalho enchendo minha cabeça durante o dia e muito sono me tomando a noite, ou se foi o fato de a maior parte do livro se passar dentro de um hospital. E vou falar um negócio pra vocês: não gosto nadinha de hospitais.
A personagem Lili tem uma filha prematura e se vê obrigada a passar semanas com ela no setor de neonatologia, e monitorar coisas como saturação e batimentos cardíacos da neném. Não pude deixar de comparar com a vivência que eu tive, por poucos dias (mas que pareceram infinitos), acompanhando a saturação do pulmão do meu pai, quando ele teve pneumonia e foi parar na UTI.
Então, não achei a leitura muito aprazível, ao menos não de cara. Tive empatia com a Lili, é claro, mas não me vi com vontade de acompanhar sua saga.
Já a personagem Élise, que vai alterando com Lili a cada capítulo (assim como a autora tinha feito no outro livro, numa costura que funciona muitíssimo bem), me prendeu desde o começo. Ela é uma mulher prestes a fazer 50 anos e vivendo o “ninho vazio”, com a saída do filho caçula de casa. Seus dois filhos já são adultos, vivem suas vidas, ela é divorciada, não tem muito contato com os poucos amigos, desaprendeu a ser sociável e não sabe o que fazer com aquela solidão inesperada.
Como diz a contracapa da segunda reimpressão do livro, são duas versões diferentes da maternidade: “a da mulher que precisa aprender a ser mãe e a da mãe que precisa reaprender a ser mulher”.
Aliás, este foi um dos livros de ficção mais explícitos que já li sobre maternidade. Depois vou dar uma olhada nas minhas anotações ao longo dos anos, mas acho que eu nunca tinha lido nada tão focado assim nesta aventura tão difícil quanto assustadora de tornar-se mãe.

Virginie Grimaldi é mãe?
Nos agradecimentos da autora, já no fim, descobri que ela resolveu escrever este livro a partir de sua própria experiência, como mãe de um bebezinho que teve que ficar entre os “bipes angustiantes” do leito de reanimação neonatal.
Ela também tem outros dois filhos, sendo que um deles, o primogênito, ela descreveu como seu “grande ausente”. Mas, pesquisando um pouquinho, descobri que ele ainda está no início da adolescência, então o ninho dela não deve estar ainda vazio…
Seja como for, ela se inspirou em sua própria vida, e em sua própria experiência como mãe, para escrever este livro que vem comovendo tantas mães ao redor do planeta, com tanta sinceridade e emoção.
Sim, demorou um pouco mais, por conta do cenário do livro, mas de novo acabei me envolvendo com a narrativa de Virginie. Só fiquei muito-muito brava com a editora Gutenberg por ter colocado um spoiler GIGANTE na contracapa da primeira edição, e estragado a grande surpresa do livro, que surge lá nas páginas finais.
Fui privada do “clique mental”, que sempre traz um gosto especial aos livros e aos filmes, e me convenci de vez de que não vale a pena ver trailers de filmes ou ler contracapas de livros, porque não tem nada mais insuportável do que um spoiler.
Spoiler é um baita desrespeito com a nossa experiência.
Mas é isso: se já gostei mesmo tendo minha experiência ESTRAGADA pela editora, acho que eu teria gostado ainda mais sem isso. Então recomendo que todos leiam os livros de Virginie Grimaldi, e, de preferência, sem ler as contracapas antes 😉
P.S. Fica sendo também minha dica de presente de Dia das Mães 😀
As Pequenas Alegrias
Virginie Grimaldi
Ed. Gutenberg
254 páginas
R$ 55 na Amazon (preço consultado na data do post, sujeito a alteração)
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