- Texto escrito por José de Souza Castro
Há algum tempo não escrevo sobre a Petrobras. O ânimo veio do editorial da “Folha de S.Paulo” nesta quinta-feira (5), pelo ineditismo do jornal a elogiar, com as devidas ressalvas, a maior estatal brasileira, sob o título “Recorde com petróleo em tempos de transição energética”. Diz o texto:
“O Brasil fechou 2025 com a marca histórica de produção média de 3,77 milhões de barris de petróleo por dia, um aumento de 12,3% sobre o recorde anterior de 2023. Em plena era de transição energética, o país ainda conta com resultados assim para atrair divisas e reduzir os déficits persistentes nas transações com o exterior e no Orçamento público.”
Dito isso, parte para o ataque ao PT. Afirma que as exportações de petróleo alcançaram 44,6 bilhões de dólares por ano, liderando a pauta nacional, mas esse sucesso “se deve em grande parte ao saneamento financeiro e operacional da Petrobras após a dilapidação da estatal nas gestões petistas anteriores, marcadas por investimentos perdulários, endividamento excessivo, corrupção e desvios estratégicos”.
Por sorte da Petrobras, leio nas entrelinhas, Dilma caiu e, com o governo Temer, a empresa “revisou drasticamente seus negócios, desinvestiu em ativos não essenciais e concentrou recursos em exploração e produção”.
Nem preciso dizer que em vários dos meus artigos eu tive uma visão bem diferente sobre tudo que se passou na empresa desde a queda de Dilma Rousseff e a posse de Temer e seus sucessores, até a volta de Lula.
O editorial elogia sobretudo “a participação crescente de empresas privadas no setor”. E prossegue:
“Em dezembro de 2025, a Petrobras respondeu por menos de dois terços da produção total, o que prova o acerto da abertura, iniciada com o fim do monopólio estatal de 1997 e depois aprofundada, apesar das resistências ideológicas do PT”.

Que beleza. Pelo menos a “Folha” não pediu mais privatização. Contenta-se em encerrar, recomendando:
“Compreende-se que uma economia de renda média não pretenda abrir mão de seus recursos naturais, porém cumpre planejar o futuro. A crença no desenvolvimento à base de receitas do petróleo explorado pelo Estado, espalhada da esquerda à direita no país, já se mostrava obsoleta antes mesmo das preocupações globais à crise climática”.
Os escribas da Faria Lima não teriam escrito melhor. Eu nem tentaria.
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