- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Há alguns meses, eu tinha lido “Setembro Negro”, que me apresentou a Sandro Veronesi, e fico feliz que tenha começado por ele. Porque achei um bom livro, mas não ótimo. Se tivesse começado por este “O Colibri“, que é excelente, teria tido dificuldade de ler aquele depois.
Engraçado como até aquilo que coloquei como um problema na narrativa do autor, naquele outro livro, desta vez eu vi como uma imensa qualidade. Escrevi na época:
“Sem contar os parágrafos e frases enooooormes (uma única frase, entre as páginas 133 e 134, chega a se estender por 32 linhas!).”
Mal sabia que, em “O Colibri”, uma única frase duraria sete páginas inteiras – e este seria justamente um dos melhores e mais intensos capítulos desta obra, que trata de temas poderosos, como paternidade, doença, família, solidão, casamento, infelicidade, amor, loucura, morte, morte digna, luto, dentre outros.

Eu também tinha me incomodado, na minha estreia de Veronesi, com o narrador em primeira pessoa prometendo a toda hora que um desastre viraria sua vida de pernas para o ar. Desta vez, também somos informados de cara que o protagonista Marco Carrera passará por “uma vida repleta de (…) fortes choques emocionais”, mas isso é anunciado de uma forma bem mais sutil, por um narrador em terceira pessoa que se alterna à voz mais leve do próprio Marco, em suas correspondências, e num ir e vir entre passados e futuros que vai diluindo a narrativa e gerando um suspense – costurado de maneira “magistral“, como descreveu Ian McEwan, autor de um dos melhores livros que já li na vida (“Reparação“).
A promessa do escritor britânico já veio grande logo na capa e na contracapa da edição da Autêntica, que destacaram seu depoimento. Ele não poupou elogios ao colega italiano:
“O colibri é um romance magistral, um mosaico de amor e tragédia, brilhantemente concebido. (…) É um gabinete de curiosidades e delícias, repleto de pequenas maravilhas, estranhas e repentinas reviravoltas, insights equilibrados e pontos de referência cultural incomuns.”
Mas não é raro eu ler elogios desse porte nas capas e contracapas da vida e me decepcionar com as obras elogiadas. Desta vez, no entanto, Ian McEwan não cometeu nenhum excesso ou exagero: “O Colibri” é isso tudo mesmo, exatamente como ele descreveu, e quem sou eu pra esperar fazer melhor.
Acho que vou me limitar a reproduzir aqui no blog o que escrevi no meu Instagram, imediatamente após o término da leitura (ou seja, totalmente inebriada ainda):
“Levei um susto quando acabei de ler. Tava chorando horrores no capítulo que leva o nome de um dos filmes mais marcantes da minha vida* e, de repente, acabou. Queria mais.
Saí relendo as páginas, fotografando algumas pra guardar pra mim, já que vou ter que devolver pra biblioteca (acho que vai ser o segundo caso de livro da biblioteca que não resisti e acabei comprando, hein?🤔 Quem sabe me dou de presente de Natal).
Leiam “O Colibri”. Impactante ❤️
E, além da bela história, faz pensar demais. Como no trecho em que ele fala da verdade versus liberdade.
Fora a qualidade do texto, nuh! Aquele capítulo sobre o telefonema que ninguém quer receber tem 7 páginas escritas num fôlego só, sem nenhum ponto final, e a gente lê sem piscar ou respirar. Fora todos os recursos de narrativa, as cartas, e-mails, SMSs…
É sim uma história triste, mas também bonita pra danar, tocante pra danar, e com um dos personagens mais cativantes que já conheci, o Marco Carrera. O colibri.”
Mais que isso acho que não vou contar, vocês que leiam por aí e vivam esta intensa experiência, com todas as suas dores e delícias 😉 Preparem-se para momentos de fortes emoções.
“O Colibri”
Sandro Veronesi
ed. Autêntica Contemporânea
334 páginas
R$ 49,88 na Amazon (preço consultado na data do post; sujeito a alterações)
* Contém spoiler: O filme a que me refiro é “As Invasões Bárbaras”, que assisti há mais de vinte anos. Escrevi sobre ele rapidamente quando fui falar de outro filme, “O Quarto Ao Lado“, que tem uma temática parecida, que também aparece agora no livro de Veronesi. Aliás, ele utiliza várias outras obras, cinematográficas, musicais ou literárias, para construir a sua, seja como inspiração, como referência cultural, como complemento. Isso é muito legal, e o posfácio/agradecimento do autor explica várias dessas escolhas e torna tudo ainda mais interessante 🙂
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