Vale ver: Wicked: parte 2 (Wicked: For Good)
2025 | 2h17 de duração | Classificação: 10 anos (mas podia ser 12) | nota 9
- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Confessei a vocês, em janeiro deste ano, que fui assistir à primeira parte de Wicked sem saber quase nada sobre o filme. Sem dúvida, minha experiência foi prejudicada por isso: fui com meu filho numa noite de terça-feira e ficamos exaustos por assistir ao filme de quase três horas de duração, além de termos sido pegos de surpresa com o “to be continued” no fim.
Nem sequer escrevi uma resenha para ele naquele novembro de 2024. Nunca gostei muito da história do Mágico de Oz, não sabia nada sobre a peça na Broadway, não sou lá muito fã de musicais e, como disse, a experiência despreparada em dia útil não tinha sido das mais favoráveis.
Quando o filme foi indicado a nove categorias dos Oscars (acabou premiado em duas delas), inclusive de melhor filme do ano, tive que recapitular. Por isso, fui escrever meu comentário alguns meses depois, e não de imediato, como faço sempre. Prejudicada, desta vez, pela minha memória naturalmente ruim, eu não lembrava de muita coisa, mas admiti uma nota 7.
De lá pra cá, exatamente um ano depois, fui assistir à segunda parte bem mais informada sobre a proposta do filme. Fui com o Luiz numa sessão de início de tarde, em pleno feriado (um viva aos feriados!). Descansados. Ainda assim, o filme era bem menor: “apenas” 2 horas e 17 minutos de duração. E o fim realmente chegou ao fim, sem pendências para um ano depois.
Seja por essa experiência mais agradável ou por já estar mais por dentro da história, o fato é que gostei bem mais da parte 2. Mas tendo a achar que foi porque ela me interessou mais mesmo.
Veja bem, apesar de ser exatamente o mesmo filme rachado ao meio, com mesmo elenco e produção, temos uma parte 1 muito mais focada na vida da “bruxa má”, desde a infância, passando pelas humilhações e preconceitos vividos por ela ter nascido verde, mas com uma cara de qualquer outro filme que se passe em uma escola norte-americana, com direito aos alunos “populares”, aos “bonitões”, aos nerds, aos excluídos etc. Por isso, é um filme mais voltado ao público infantojuvenil de sua classificação indicativa de 10 anos.
Já a parte 2 é muito mais uma alegoria política adulta, com Elphaba tentando combater um governo mentiroso, truculento, com ares de ditadura e, pior, daquele tipo de ditadura com culto ao líder, como tantas que já ocorreram na história, à direita e à esquerda.
Se o lado mais politizado da primeira parte dizia respeito basicamente ao racismo e à xenofobia (com a bruxa verde e os animais banidos para ilustrar), nesta segunda tem ainda fascismo, fake news, disseminação de ódio, imigração, feminismo, e mais uma penca de temas muito atuais disfarçados de conto de fadas.
Não por acaso, gostei muito mais da segunda parte e meu filho Luiz, de quase 10 anos, se sentiu incomodado com algumas cenas (uma arma apontada para a mocinha Glinda o deixou bem chocado, por exemplo) e declarou ter preferido, de longe, a primeira parte, e ter achado que esta metade final deveria ter classificação indicativa de 12 anos.
Seja como for, a soma das duas resulta em um bom filme, com excelentes atrizes (Cynthia Erivo se destaca principalmente na parte 1, enquanto Ariana Grande dá um show na continuação), excelente design de produção, figurino, som, efeitos visuais etc.
Mas ainda, na minha opinião, e como eu já disse da outra vez, desnecessariamente grande demais. Estamos falando de uma história de praticamente cinco horas de duração ao todo, com algumas músicas e coreografias que beiram o infinito, e meu lado editora sempre pensa que dava pra ser menor – na verdade, que ficaria beeeeem melhor se fosse menor.
Mas, sem dúvida, a empreitada do diretor Jon M. Chu e essa história da Broadway, que traz nuances tão antimaniqueístas para explicar e enriquecer o chatíssimo Mágico de Oz, merece ser vista. Se dei nota 7 à primeira metade e 9 a esta continuação, fecho aqui com a média de um justo 8 para o conjunto de Wicked, na torcida para que os próximos projetos desse tipo sejam mais contidos em seu tempo de duração.
Assista ao trailer legendado de Wicked: parte 2
Você também vai gostar destes posts:
- Dicas de bons filmes escondidos em serviços de streaming
- 15 filmes sobre mulheres fortes ou inspiradoras
- Os 19 filmes mais importantes do Oscar 2024: resenhas e trailers
➡ Quer reproduzir este ou outro conteúdo do meu blog em seu site? Tudo bem!, desde que cite a fonte (texto de Cristina Moreno de Castro, publicado no blog kikacastro.com.br) e coloque um link para o post original, combinado? Se quiser reproduzir o texto em algum livro didático ou outra publicação impressa, por favor, entre em contato para combinar.
➡ Quer receber os novos posts por email? É gratuito! Veja como é simples ASSINAR o blog! Saiba também como ANUNCIAR no blog e como CONTRIBUIR conosco! E, sempre que quiser, ENTRE EM CONTATO 😉



