A Verdadeira Dor: leia minha resenha e veja o trailer do filme

Cena do filme A Verdadeira Dor
Cena do filme A Verdadeira Dor, que concorre a dois Oscars.

Vale ver: A Verdadeira Dor (A Real Pain)
2024 | 1h30 de duração | Classificação: 16 anos | nota 8

O que é uma dor verdadeira? A dor de toda uma comunidade, todo um povo, ao passar por um campo de concentração onde 80 mil pessoas foram assassinadas (59 mil judeus, quase 5 mil crianças, muitos poloneses)? Sim, com certeza esta é uma dor verdadeira.

E a dor de um homem de seus 40 anos que está em luto após a morte, há cerca de seis meses, de sua querida avó, a pessoa mais importante de sua vida, aquela que se importava mais com ele e com seu modo de vida instável? Também é uma dor digna de nota.

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O filme “A Verdadeira Dor” mescla estas duas – a dor individual com a de todos os judeus –, ao descrever a excursão de dois primos aos lugares, na Polônia, onde sua querida avó viveu. Inclusive o terrível campo de concentração nazista Majdanek, de onde ela sobreviveu por milagre.

Já assisti a vários filmes sobre o Holocausto, cada um mais impactante que o outro. Este foi um dos poucos que trataram desse horror por meio de uma comédia dramática, de um road movie que, embora tenha muita densidade, também traz consigo algum naco de leveza.

Isso graças ao personagem Benji, interpretado muito bem por Kieran Culkin (irmão de Macaulay Culkin, que foi indicado ao Oscar por este papel, mas também já venceu vários outros prêmios importantes por ele). Ele é aquele tipo extremamente intenso, que não liga para o que os outros pensam sobre ele, o sincerão, o maluco, aquele que não conseguiu ir muito pra frente na vida, do ponto de vista do que é considerado um sucesso pela nossa sociedade moderna (profissão, casamento, filhos).

Muitas vezes ele constrange seu primo, o certinho David (interpretado por Jesse Eisenberg, que também dirige o filme e foi indicado ao Oscar por seu roteiro original), dando outro sentido ao título do filme – “a real pain in the ass” é uma expressão comum nos Estados Unidos, que podemos traduzir como “um verdadeiro pé no saco”.

Embora Benji traga alguma graça ao filme, é ele também que insiste que as pessoas que estão apenas turistando em sua excursão realmente sintam toda a dor que emana daquele lugar, daquele situação, do passado que aconteceu ali.

O filme transcorre na relação entre esses dois primos tão diferentes, que aparentemente foram muito amigos e muito próximos no passado, mas acabaram tomando rumos diferentes na vida. História comum em quase todas as famílias, não é mesmo? Eles ficam relembrando o passado, em meio a uma viagem que existe para revisitar o passado de sua família, mas fica claro que tem coisas que não voltam nunca mais a ser como eram.

“Eu estava tentando mostrar que o tempo passa, independentemente de nossas tentativas fortes e fracassadas de nos apegar a ele; você tem que viver no presente tanto quanto tenta se agarrar ao passado. Esses personagens estão tentando se conectar ao passado, mas muitas vezes é literalmente impossível”, disse Eisenberg em uma entrevista.

“A Verdadeira Dor” também presta uma homenagem e tanto à Polônia e aos poloneses. Até a trilha sonora é quase toda com peças de Chopin, o genial pianista daquele país.

Ao fim dessa história bem contada em seus 90 minutos de duração (viu, gente? Os filmes não precisam ter três horas para transmitir boas mensagens!), David volta para sua casa em Nova York, para sua mulher e filho. Benji volta para sua dor verdadeira. E nós todos voltamos para nossos lugares, cheios de sentimentos à flor da pele.

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A Verdadeira Dor foi indicado a 2 Oscars em 2025:

E venceu este em destaque:

  • Melhor ator coadjuvante
  • Melhor roteiro original

Assista ao trailer de A Verdadeira Dor:

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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