‘A Casa Assombrada’, de John Boyne: como um bom clássico do terror

Foto: Zoya Loonohod / Unsplash

Fazia muito tempo que eu não lia novelas de terror. Nem me lembro qual foi a última. E aí, numa biblioteca, vi este texto de John Boyne querendo prestar uma homenagem a ninguém menos que Charles Dickens, o rei dos fantasmas do natal passado, do presente e do futuro.

A história se passa em 1867. A narradora em primeira pessoa e protagonista da história é Eliza Caine, uma jovem de 21 anos que acaba de perder o pai e resolve assumir um trabalho como governanta, longe de Londres, mas acaba indo parar numa casa assombrada.

O título em inglês é sutilmente diferente da tradução: “This House is Hauted”, diz ele. Esta casa é assombrada. Como se fosse alguém tentando explicar um problema a outra pessoa. Tentando convencê-la disso. Não é uma mera constatação sem qualquer verbo – “A Casa Assombrada”. É uma declaração (que carece de confiança, como todas as declarações): “Ei, ESTA casa É assombrada!”.

Eliza passa a história quase inteira ciente disso e tentando mostrar aos outros o problema que ela enfrentava. O pior de estar em uma casa assombrada não é nem enfrentar fantasmas que podem tentar matá-la, é mostrar aos outros que isso está acontecendo e você ainda não perdeu sua sanidade mental.

Foto: Zoya Loonohod / Unsplash

 

O livro é um clássico do terror, com várias referências à literatura do século 19, com suspense na medida certa, sem apelações, e que nos instiga a querer saber o que vai acontecer depois. Como Eliza vai se safar daquilo.

Não é todo dia que eu leio livros de terror, como eu disse, mas o primeiro que resolvi escrever, quando eu tinha lá pelos meus 12 anos, foi “O Círculo Vermelho”, e era um terror clássico. Mas Boyne, o bestselller de “O Menino do Pijama Listrado”, escreveu este com muito mais talento que eu, trazendo algumas ventanias descontroladas e outros subterfúgios típicos dos fantasmas, mas sem tanta previsibilidade e com muita maestria.

A gente lê num fôlego só. E torce por Eliza, uma personagem fora da curva para seu tempo, ainda que longe de ser “revolucionária”.

O final soluciona tudo muito bem, o que nem sempre é simples de fazer em novelas de terror. Mas, este, você só vai saber se mergulhar na mansão sufocante de Gaudlin Hall. Boa sorte!

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Por Cristina Moreno de Castro (@kikacastro)

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Redes sociais: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro e www.instagram.com/arvoresdascidades.

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