‘Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo’: esta coisa nonsense que chamamos de vida

Vale a pena assistir: TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO (Everything Everywhere All at Once)
Nota 8

 

Este foi um dos filmes mais loucos que vi nos últimos tempos. Em alguns momentos, claro, me senti de novo assistindo à viagem de Matrix, lá na distante década de 90. Mas em outros parecia mesmo que eu estava vendo algum desenho animado estilo Animaniacs. Achei até difícil escrever sobre o filme.

O galã do filme, Ke Huy Quan.

Até o gênero dele não é muito definitivo. Tem muito de ficção científica, mas também tem drama, comédia, tem esculacho, tem umas cenas que parecem de terror, fora as várias cenas de lutas marciais que nos transportam para os filmes de Jackie Chan. (A propósito, a sucessão de cenas de lutas contribuiu com certeza para eu tirar uns pontinhos do filme, porque, lá pelo meio da história, ela foi ficando muuuuuuito repetitiva).

Eis que, passado esse miolo do teletransporte-seguido-de-luta-e-de-mais-alguma-coisa-inusitada-e-aleatória-para-abrir-um-novo-“portal”-no-multiverso, o filme se encontrou de novo. Agora com algumas mensagens poderosas, ainda que camufladas na estética tosca das cenas, que incluíam dedos de salsicha ou duas pedras conversando na beira de um abismo.

A tosquice foi caprichada, mas, se a gente abraça o humor, acabamos nos acostumando a ela. O mundo não é para os sérios demais.

Esta é, aliás, uma das várias mensagens que o filme traz ao final, quando tudo se fecha e forma um quadro compreensível: que o bom humor, a gentileza e o amor são as melhores armas para usarmos nesta luta insana, louca, nonsense que chamamos de vida.

Ou, nas palavras de um dos personagens:

“Você me diz que é um mundo cruel. E estamos todos andando em círculos. (…) Eu sei que todos vocês estão lutando porque estão assustados e confusos. Estou confuso também. O dia todo. Eu não sei o que diabos está acontecendo. (…) Parece que é tudo culpa minha. Quando escolho ver o lado bom das coisas não estou sendo ingênuo. É estratégico e necessário. É como eu aprendi a sobreviver. A única coisa que sei é que temos que ser gentis. Por favor. Seja gentil. Especialmente quando não sabemos o que está acontecendo. (…) É assim que eu luto”.

Esta é uma das formas de ver a vida quando “cada nova descoberta é apenas um lembrete de que somos todos pequenos e estúpidos”. A outra forma é muito mais sombria. É o caminho da perdição, quando a gente perde o bom humor, não consegue ver nenhum sentido nas coisas, se acha incapaz de ser amado. E aí muitos de nós nos entregamos.

Jamie Lee Curtis, a “mal-amada”.

Nossa, Cris, mas sério que este filme louco faz pensar em tudo isso?

Olha, e faz mais, viu? Faz pensar também no sentido das famílias diante deste multiverso (porque não basta mais falar em um único universo hoje em dia, mesmo que infinito). Faz pensar em como pais e filhos têm dificuldade de se entender. Ou mais que isso: de se conectar.

Ao final dessas duas horas de filme, você vai dar um nó no cérebro umas três vezes, virar a cara em algumas cenas, rir de outras, abraçar o ridículo de outras tantas, pra, no fim, se pegar pensando em algumas coisas que fazem muito sentido em meio à completa falta de sentido da vida.

E não é todo filme que faz isso tudo com a gente, né? Então, coloque seu terceiro olho na testa e abra sua mente!

 

A atriz Michelle Yeoh em cena do filme.

 

Assista ao trailer do filme:

 

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Por Cristina Moreno de Castro (@kikacastro)

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Redes sociais: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro e www.instagram.com/arvoresdascidades.

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