Modelo alemão inspira o partido comunista chinês. E o PT?

Vista aérea de Xangai, na China. Foto: Denys Nevozhai / Unsplash

Texto escrito por José de Souza Castro:

Vista aérea de Xangai, na China. Foto: Denys Nevozhai / Unsplash

 

A China se inspirou no modelo americano e britânico para se desenvolver, mas está-se voltando agora para o modelo alemão, conforme artigo da Bloomberg, que analisa recentes decisões do Partido Comunista para que o desenvolvimento chinês beneficie igualmente a população em geral e, não mais, sobretudo os ricos.

Festival de lanternas em Xangai, na China. Foto: Sam Erwin / Unsplash

Com isso, a China quer evitar as recorrentes crises que atormentam de tempos em tempos o mundo capitalista. A Alemanha tem grandes bancos estatais, forte setor industrial exportador e, desde a II Guerra Mundial, não experimenta crise financeira.

Para os comunistas chineses, o modelo alemão enfatiza regras antitruste, valoriza mais a indústria que os serviços e, acima de tudo, a educação. A China quer encolher o poder de mercado das gigantes em tecnologia e serviços de Internet, por meio de regulamentos antitruste. Um movimento iniciado no ano passado e que já provocou perdas de centenas de bilhões de dólares em valor de mercado a grupos chineses, como Alibaba e Tencent.

Especialistas chineses reconhecem que empresas como Facebook e Twitter não contribuem necessariamente ao bem comum, sobretudo quando operam num espaço de baixa regulamentação.

Essa questão vem sendo debatida por jornais alemães, ingleses e dos Estados Unidos, mas parece não interessar aos brasileiros. Caso alguém se interesse, pode ler, em inglês, o artigo da Bloomberg.

Lula beneficiou muito os banqueiros em seus dois mandatos. Como seria num terceiro? Foto: Ricardo Stuckert

Não tenho esperança que Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes ou alguém de sua equipe econômica se interesse. Mas, quem sabe, Luiz Inácio Lula da Silva, que já deve estar elaborando seu plano de governo, cercado por espertos economistas, venha a se interessar pelo assunto.

No passado, como presidente da República, Lula beneficiou muito a classe dos ricos, sobretudo os banqueiros, e distribuiu migalhas do desenvolvimento que promoveu aos mais pobres. Os chineses já descobriram que esse não é o caminho para enfrentar o grande capital internacional e superar a pobreza da maioria dos compatriotas.

E a Alemanha, que nunca foi refratária à direita, descobriu muito antes do que a China comunista um caminho melhor do que este que Estados Unidos e Brasil, entre muitos outros, vem trilhando persistentemente, em meio a crises, guerras – e pobreza.

 

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Por José de Souza Castro

Jornalista mineiro, desde 1972, com passagem – como repórter, redator, editor, chefe de reportagem ou chefe de redação – pelo Jornal do Brasil (16 anos), Estado de Minas (1), O Globo (2), Rádio Alvorada (8) e Hoje em Dia (1). É autor de vários livros e coautor do Blog da Kikacastro, ao lado da filha.

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