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O que aconteceu com a Petrobras durante a pandemia

Texto escrito por José de Souza Castro:

Botijão de gás não explode, mas o preço dele, sim.

Na tarde desta segunda-feira soube que a Petrobrás reajustou mais uma vez os preços da gasolina, do óleo diesel e do botijão de gás de cozinha. Depois de longa ausência, entrei no site da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, para ver como a Aepet, velha de 60 anos, reagiria à notícia. Nada, às 16h. Não posso esperar agilidade, nessa idade.

Porém, os títulos das notícias publicadas em sua página na Internet dão um panorama desalentador do que se passa naquela que já foi a maior estatal brasileira:

– O desmanche da Petrobrás começou antes de Temer.
– Renda do trabalhador da Petrobrás despencou 37% na última década.
– Privatização da BR Distribuidora acentua desintegração do Sistema Petrobrás. A BR Distribuidora é a segunda maior empresa brasileira.
– Norte e Nordeste perdem emprego e renda com privatizações da Petrobrás. Já foram vendidas usinas eólicas, 104 campos de petróleo e gás natural e ativos de petroquímica, fertilizantes e energia elétrica. Com isso, houve redução de 65% dos trabalhadores próprios e 48% dos terceirizados.
– Desmonte da Petrobrás gera desnacionalização, com avanço acelerado de estrangeiras em setores estratégicos. Com desaceleração da estatal, atuação de multinacionais no setor aumentou em quase 30%.

Em síntese, é o que vai acontecendo em nossa economia, no momento em que mais de 520 mil brasileiros morrem por causa do vírus Covid-19. A continuar a ameba Bolsonaro no governo, muito pior vai acontecer.

Há uma saída, porém. A Aepet publica um artigo intitulado “Belluzzo: o Brasil é um Ford bigode”. O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, da Faculdade Estadual de Campinas, dá a deixa para que nos interessemos pelo relatório divulgado há poucos dias pelo governo dos Estados Unidos.

Em 250 páginas, o relatório responde a uma ordem executiva do presidente Joe Biden, que determinou a análise de cadeias críticas para identificar riscos, encaminhar soluções para as vulnerabilidades e desenvolver uma estratégia para promover a resiliência dos Estados Unidos em tempos de pandemia, frente à escalada chinesa. O relatório resume seus resultados em seis categorias:

  1. reconstruir nossas capacidades de produção e inovação;
  2. apoiar o desenvolvimento de mercados com alto padrão de produção, de trabalho e de qualidade do produto;
  3. alavancar o papel do governo como participante do mercado;
  4. fortalecer as regras de comércio internacional, incluindo mecanismos de fiscalização do comércio;
  5. trabalhar com aliados e parceiros para diminuir vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento globais; e
  6. estabelecer parceria com a indústria para tomar medidas imediatas para lidar com a escassez existente.

Diz o artigo publicado pela Aepet:

“Se por um lado, os EUA parecem caminhar para uma decisiva intervenção do Estado para a correção da rota neoliberal dos últimos 40 anos, os governantes brasileiros, assim como a mídia, não se empenham em discutir nossa regressão a um país meramente exportador de bens agrícolas e primários, extremamente dependente da importação, até mesmo de fármacos básicos.”

Se Bolsonaro e Paulo Guedes não forem escorraçados logo do poder, nada do que deseja o presidente dos Estados Unidos para seu país acontecerá no Brasil. E vamos continuar longe do que se passou por aqui entre 1930 e 1980, quando o país cresceu 7% ao ano, porque havia um “ecossistema composto pelo setor público, pelo setor privado, por bancos públicos”.

Hoje o que se vê é o protagonismo dos rentistas na determinação das políticas econômicas brasileiras. Protagonismo que explica o nosso atraso. Bem diferente do que aconteceu na China, onde não havia rentismo sob o império do Partido Comunista. “Para ganhar tinha que investir na produção”, diz Belluzzo.

Para quem viveu numa época em que havia a expectativa de que o país ia dar certo, tem razão Belluzzo ao lamentar que nosso processo liberal seja “tão atrasado”. Ele lamenta que os empresários produzidos por Getúlio Vargas tenham desaparecido. A letra “I” de FIESP não significa agora Indústria e sim Importadores: “O Brasil perdeu o bonde e a China montou no bonde”, diz Belluzzo.

E a Petrobrás – bem, ela perdeu até o acento no “a”, ainda nos tempos de Fernando Henrique Cardoso. Bolsonaro, o exterminador, cuida para que perca o que ainda resta.

 


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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