Prefeito de Betim em editorial no jornal O Tempo: ‘Chega!’

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Até onde sei, Minas nunca teve dono de jornal importante que se destacasse pela inteligência e pela escrita. Pela esperteza, sim. O jornal “O Tempo” é exceção. Seu proprietário, Vittorio Medioli, nascido na Itália mas residente em Minas desde 1976, atraído pela Fiat Automóveis, publicou neste domingo editorial sob o título “Chega!”. Mais um atestado de sua inteligência.

É inteligente começar o artigo com essa epígrafe utilizada pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, na denúncia apresentada recentemente ao Supremo Tribunal Federal contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). A frase, conforme Medioli, foi escrita em 1917 pela escritora russa Ayn Rand e, 100 anos depois, Janot “adotou essa frase em sua acusação contra políticos de Minas”.

Políticos de Minas? Por que Medioli não citou Aécio? Por esperteza, um atributo de concorrentes em jornais mineiros, ou porque não se chuta cachorro morto? Seja como for, prossegue o autor, que conhece bem os meandros da política, tanto que se elegeu em 2016 prefeito de Betim pelo PHS, depois de quatro mandatos como deputado federal pelo PSDB mineiro:

“O sistema tenebroso em vigência leva diretamente a uma classe política tentacular, dinástica, que se interpõe ao progresso, priorizando interesses insaciáveis, adotando o pé de cabra da burocracia para arrombar a nação.

Distorceu-se a democracia, apropriando-se aceleradamente dos bens comuns, das receitas escassas destinadas aos carentes. De costas para o sofrimento, o atraso secular, a pobreza que assola milhões de pessoas.

“Enganam-se muitos por muito tempo, mas não todos o tempo todo”; as cortinas caíram. Estamos assistindo à justiça divina cobrando explicações aos culpados.

A maioria das leis aprovadas nos últimos anos é de péssima qualidade, perdera-se de vista o bem geral, o interesse comum. Expandiu-se uma colcha de retalhos legislativos e de regulamentações engendradas em detrimento da maioria que trabalha com suor.

A delação do maior açougueiro do planeta, Joesley Batista, demonstra o pendor sem escrúpulos de matador, distribuindo propinas de mãos cheias, desde o mais ínfimo político até o presidente da República, conseguindo chegar aos R$ 170 bilhões anuais em receitas. Não satisfeito de ter feito do Brasil um trampolim, abateu seus cúmplices, deixando a Janot a tarefa de processar as entranhas dos delatados.

Não perdoou ninguém. Confessou que pagava quase sempre para ter trânsito, simpatia, ter leis complacentes e tapetes estendidos até na residência dos presidentes. Pagava em grande escala para sobrevoar a burocracia e para ter a caneta dos poderosos a seu favor. Matou as cobras e se mandou.

Empresas que não conseguiam apoio e financiamentos caíam nas mãos deles por preços de banana, tendo o BNDES de aliado e cúmplice, depositando centenas de milhões de dólares em contas “à disposição” dos ministros e presidentes. O impossível para qualquer um era fácil para ele. O sistema adotado pelo BNDES e por bancos oficiais era o mesmo adotado com desenvoltura por Marcelo Odebrecht, Eike Batista e outros dispostos a pagar propinas de mãos cheias. Em comum têm agora o fracasso destruindo seus efêmeros sucessos.”

Não para aí a metralhadora de Medioli, que, além de político, é empresário, escritor e filósofo. Ele não esquece a burocracia que se agigantou, corrompeu-se, resultando num “país despedaçado que lidera o ranking de injustiça, atraso e corrupção”, e que hoje registra “o maior desemprego, desamparando 14 milhões de pessoas”.

O Estado precisa parar de sequestrar o desenvolvimento e, ainda, parar de criar covardes entraves a quem trabalha, acrescentou o prefeito de Betim. Medioli indica um caminho: “Castigar a propina como atividade hedionda, dar segurança jurídica para quem quer empreender. Possibilitar um ambiente de atividades econômicas concedendo regras claras. Banir as elites políticas e empresariais corruptas.”

Conforme Medioli, em Minas há cerca de 20 mil empreendimentos “retidos nas garras” do sistema de licenciamento. Não fosse assim, teríamos mais de 1 milhão de empregos e mais de uma dezena de bilhões em arrecadação a cada ano – “basta investir no licenciamento, simplificar, autorizar”. Em vez disso:

“Agora, para plantar capim, precisa também de licenciamentos arqueológicos, não bastasse outro espeleológico. Boçalidades que permitem à parentada de políticos ganhar centenas de milhões por anos sem sair da cadeira. Impondo pedágios e dificuldades para vender caras facilidades.

Isso também é corrupção, e o Estado pode suprimir essas exigências dentro de suas atribuições, exatamente por ser um motivo que atrasa a geração de empregos e de receitas públicas. E nem dinheiro para pagar a folha dos servidores existe!

O Estado é o maior vagabundo do sistema, e os senhores políticos que enchem de cargos comissionados os governos e as estatais são coadjuvantes da tragédia.

O povo de Minas sofre da velhacaria que impõe e explora o atraso e a pobreza.”

Medioli conclui: “É preciso parar de sequestrar o imenso potencial desta nação. Chega!”.

Pois é: Chega!

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