Da Petrobras para a francesa Total: Cade aprova negócio ‘de pai pra filho’

Texto escrito por José de Souza Castro:

Caiu, ao que parece, a última barreira para a entrega de uma parcela do pré-sal à francesa Total a preço de banana. No dia primeiro de abril, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), um órgão regulador, aprovou sem restrições a venda de 22,5% da área de Iara, na Bacia de Santos.

“Mais um crime de lesa-patria”, afirma a Federação Única dos Petroleiros (FUP), em nota intitulada “O Parente é da Total”.

Esse Parente é o presidente da Petrobras nomeado no atual governo, sobre o qual já escrevi aqui, aqui e aqui. E a Total S.A. é o quarto maior grupo privado explorador de petróleo e de gás natural mundial.

A entrega do pré-sal à Total se deu mediante um acordo de colaboração chamado de Aliança Estratégica e assinado no dia 28 de fevereiro deste ano.

Segundo a FUP, “a gestão Pedro Parente deu de mão beijada à petrolífera francesa um tesouro de 675 milhões de barris de petróleo (o bloco todo tem reservas provadas de três bilhões de barris)”, equivalente a 33,7 bilhões de dólares a preços de hoje.

A Total se comprometeu a pagar 2,2 bilhões de dólares à vista e o restante “em suaves prestações”. Por esse valor, “muito abaixo dos preços de mercado”, a petrolífera francesa levará também 35% do campo de Lapa, cujo ativo já havia sido depreciado em R$1,238 bilhão, “para facilitar a sua venda”, e metade da Termobahia, “incluindo duas termoelétricas e o acesso ao terminal de regaseificação”.

Não para aí essa venda “de pai para filho”, segundo a FUP: “Além disso, a multinacional se beneficiará de toda infraestrutura e logística já desenvolvidas pela Petrobrás, o que reduzirá significativamente os seus custos”.

Não se diga que não há motivos para comemorar. Não pelos brasileiros, sim pelos investidores franceses. “Analistas de mercado”, conforme a FUP, “chegaram a calcular que a Total aumentará em 1 bilhão de barris de petróleo as suas reservas ao se apropriar destas duas áreas do Pré-Sal brasileiro. Tudo isso a um custo estimado entre US$ 1,75 e US$ 2,4 o barril, segundo divulgou a imprensa francesa na época do fechamento do acordo”.

A FUP informou, erroneamente, que a aprovação pelo CADE se deu no dia 3 de abril. Na verdade, essa foi a data da publicação no “Diário Oficial da União”. À maior agência de notícias do mundo, com sede em Londres, a Reuters, não passou em branco que a aprovação ocorreu antes, no dia primeiro de abril.

Sim, no Dia da Mentira. Faz sentido, pois o que se mente sobre o pré-sal não está no gibi.

Conforme a Reuters, a “concessão, no pré-sal da Bacia de Santos, inclui os campos de Berbigão, Sururu e Atapu Oeste, segundo documentos enviados pelas empresas ao Cade” e, na defesa do negócio envolvendo Iara junto ao Cade, “as empresas disseram que os campos envolvidos nesta operação estão em fase de desenvolvimento e não apresentam produção”. Acrescenta: “Quando a produção for iniciada, e considerando o pico de produção dos campos, estima-se que esse valor representará menos de 7 por cento da produção nacional de petróleo”, disseram elas em documento.

Ah, bom…

No mesmo dia, a Reuters informou que a produção de petróleo no Brasil em fevereiro somou 2,676 milhões de barris por dia, sem contar o gás natural. Somando este, foram aproximadamente 3,346 milhões de barris de óleo equivalente por dia em fevereiro.

Sete por cento desse total significa 234.220 barris por dia. O petróleo do tipo extraído do pré-sal estava cotado nesta terça-feira, às 16h30, a US$51,04 o barril. E subindo 1,55%…

Pobres investidores franceses!

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3 comentários sobre “Da Petrobras para a francesa Total: Cade aprova negócio ‘de pai pra filho’

  1. A Petrobras começou a entrega do pré-sal para multinacionais europeias. Um despiste? Talvez pegasse pior ainda se começasse entregando às norte-americanas. O Tijolaço comenta artigo publicado pelo Wall Street Journal sobre o interesse da Exxon:

    “Os repórteres Bradley Olson e Paul Kiernan ( aqui, a reportagem na íntegra) foram ouvir a consultoria Rystad Energy, uma das mais respeitadas do setor e os comentários de Kjetil Solbraekke, vice-presidente sênior para a América do Sul não poderiam ser mais claros:
    “Todo mundo quer ter um pedaço da torta”. “Estes são provavelmente os ativos de petróleo mais prolíficos e de maior retorno disponíveis no mundo”.
    E destacam que – preste atenção, para ver o tamanho dos interesses – que o pré-sal deve nos tornar “o quinto maior produtor mundial de óleo cru em 2025, atrás apenas da Arábia Saudita, Rússia, EUA e Iraque”.
    É a isto que a canalha entreguista – no Governo e na mídia – quer e está fazendo, ao usar a Lava Jato para destruir a Petrobras, depois de tentar desqualificar a importância de nossas jazidas, desavergonhadamente, chamando-o de “patrimônio inútil”.
    Íntegra aqui: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-olho-da-exxon-no-pre-sal/
    A reportagem original em inglês pode ser lida no link inserido pelo Tijolaço no artigo.

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  2. É grave a situação na Petrobras. Do blog do jornalista Fernando Brito (http://www.tijolaco.com.br/blog/petrobras-insistiu-en-negocio-fraudado-com-australianos/):

    “Interrompida por descumprimento dos ritos legais para alienação de patrimônio, a venda dos campos de Baúna e Golfinho, na Bacia de Santos, e de 50% do campo de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, a uma petroleira australiana – a Karoon Gas Australia Limited – contém uma fraude, que a direção da estatal brasileira ignorou, embora formalmente avisada .

    O site do jornal Toda Palavra, do jornalista Luís Augusto Erthal, revela hoje, com farta documentação original, que a garantia para o negócio – que tem valor superior ao triplo do capital da Karoon, uma companhia de responsabilidade limitada – era um acordo entre esta e a maior petroleira da Austrália, a Woodside Energy, que comunicou formal e repetidamente que não participaria do negócio.

    Com capital social de US$ 450 milhões, a Karoon não poderia bancar sozinha um negócio de US$ 1,6 bilhões. Precisaria do endosso de outra companhia financeiramente mais robusta e, para isso, teria se associado à Woodside Energy, maior petroleira australiana, na aquisição dos campos brasileiros, conforme comunicou à Petrobrás em proposta oficial (leia o documento original em inglês e a tradução juramentada em português) apresentada no dia 26 de setembro. No entanto, a Woodside contestou os termos da proposta da Karoon e exigiu que esta comunicasse oficialmente à Petrobras que estaria sozinha no negócio. Isso foi feito em carta enviada pela Karoon à empresa brasileira no dia 7 de outubro, um dia depois de a Petrobrás anunciar formalmente a venda dos campos petrolíferos à companhia australiana.

    Representantes da Woodside também comunicaram diretamente à Petrobras, em teleconferência realizada em 22 de novembro, que não poderiam apoiar a oferta da Karoon. E, como se não bastasse, para evitar qualquer possibilidade de mal entendido, a Woodside enviou carta à Petrobras (leia o documento original em inglês e a tradução juramentada em português) no dia 15 de fevereiro, reafirmando que nunca esteve associada à Karoon. Mesmo assim, a Petrobras insistia na realização do negócio, omitindo de seus acionistas e do mercado a informação de que a pretendente não tinha condições financeiras de assumir a compra dos campos petrolíferos.

    O Ministério Público, que demonstra tanto interesse nos negócios da Petrobras, está desafiado a investigar este.”

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  3. Aos que se interessaram por este artigo, indico a leitura de nova informação da FUP:

    Depois de entregar áreas valiosas do Pré-Sal para as multinacionais Statoil e Total, Pedro Parente já se articula para atrair a Exxon Mobil para o feirão que vem promovendo do petróleo brasileiro. A petrolífera norte-americana está aproveitando a ocasião para costurar a sua estreia como operadora no país. Recentemente, o presidente da Petrobrás esteve em Houston, meca dos investidores do setor nos Estados Unidos, para ofertar o patrimônio da Petrobrás, em especial, o Pré-Sal brasileiro. Chegou a afirmar que tinha pressa em vender os ativos da empresa e tornou a destacar que o momento é de oportunidades para os investidores.

    E assim, Pedro Parente vem liquidando com o futuro da estatal brasileira, abrindo mão de reservas que comprometerão os negócios da empresa a médio e a longo prazos. Em um intervalo de seis meses, já entregou reservas bilionárias de Carcará à norueguesa Statoil, a um custo em torno de US$ 0,70 o barril, como denuncia a FUP na Ação Civil Pública que move para anular a negociata. Nesta última semana, foi consolidada mais uma venda suspeita, onde a petrolífera francesa Total levou também a preços módicos pelo menos 850 milhões de barris de petróleo nas áreas de Iara e Lapa, pagando menos de US$ 2,50 por barril.

    O presidente da Petrobrás corre contra o tempo para concluir a missão que lhe foi conferida: entregar a empresa nas mãos do mercado e dos investidores internacionais. Seguindo a mesma lógica ultraliberal dos anos 90 – quando participou ativamente dos processos de privatização e das parcerias público/privado do governo FHC, ficando conhecido como o ministro do apagão – Pedro Parente acelera o desmonte de todo um projeto de desenvolvimento nacional, que tinha como principais alicerces a Petrobrás e o Pré-Sal.

    Texto completo aqui:
    http://www.fup.org.br/ultimas-noticias/item/20890-com-parente-petrobras-esta-em-marcha-a-re

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