Um anti-herói da história do futebol

Para pegar na locadora: HELENO

Nota 8

heleno

Eu não conhecia nada da história de Heleno de Freitas. Se fosse pra lembrar de um ídolo histórico do Botafogo, falaria Garrincha, de cara. Ao ver o filme sobre sua história, descobri que ele foi, na verdade, o primeiro jogador de futebol brasileiro a virar um popstar, aos moldes do que acontece hoje, mas já nos anos 30 e 40.

Nascido no interior de Minas, onde morreria apenas 39 anos depois, Heleno foi morar no Capacabana Palace enquanto defendia o Botafogo. Era considerado um craque, mas, ao mesmo tempo, tinha a cabeça quente e frequentemente era expulso de campo. Além disso, era viciado em éter, fumava como um louco e tinha uma vida boêmia que acabou lhe rendendo a sífilis, doença que o enlouqueceu.

Sua vida é uma verdadeira novela, digna de um bom filme: seu sonho era jogar a Copa, mas, por causa da guerra, ela foi adiada no auge de sua carreira. E ele foi decaindo, decaindo, até terminar a carreira no América do Rio. Sua história romântica também é um desastre à parte.

O filme tem o mérito de contar tudo isso, navegando entre o passado glorioso e o presente em um hospício de Barbacena, de uma forma muito intrigante, muito bem contada, construindo muito bem um personagem complexo, meio gênio, meio louco, totalmente arrogante e cheio de si, que gera alguma empatia, mas quase nenhuma simpatia. O diretor, José Henrique Fonseca, teve a boa sacada (e certa coragem) de filmar tudo em preto e branco, transportando a gente para um passado muito bem cenografado. E o protagonista, Rodrigo Santoro, dispensa maiores descrições: é, para mim, um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos. Ele se transforma, inclusive fisicamente, de forma impressionante, assim como já fez em “Bicho de Sete Cabeças”, “Carandiru” e tantos outros sucessos.

O ponto fraco fica por conta de Alinne Moraes no papel da esposa de Heleno, o segundo mais importante do filme. Ela ainda não me convenceu como atriz.

Ver este filme é um ótimo jeito de conhecer um pouco da história do futebol brasileiro, ver como o Brasil era um país tão diferente e mergulhar em um personagem tão denso, que praticamente fez de tudo para destruir o sucesso que obteve — e com a contribuição do azar, em boa medida. Um anti-herói que vai se despedaçando aos nossos olhos, na pele de um ator de primeira.

(P.S. Ainda bem que não vetaram esta biografia! :D)

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