Escrito em julho de 2007, mas faz sentido até hoje:
“A gente se acostuma com a depressão.
Quando ela vem, nos engole
Chega devagar, com trilha sonora
Mas sem dramaticidade.
E vai esmagando osso a osso.
Nos abraça enforcando
Como uma jibóia.
Nos asfixia e tira a razão.
O problema é que jamais gritamos:
nos acostumamos.
Ficamos dependentes dela, sem nos debater.
Mastigamos a tristeza sem a engolir.
E fugimos do sol, e viramos sombra.
Um dia, sem que déssemos conta,
estamos enjaulados, mendigando sorrisos.
Não refletimos nenhuma imagem no espelho
bafejamos um hálito gélido.
A depressão suga a vida, gota a gota,
com seus dentinhos pontiagudos envenenados.
E assim morremos: acostumados.
É preciso matar a jibóia antes!
Gritar por socorro! Debater e morder!
Cuspir a tristeza na cara dos cínicos!
Buscar o sol, sem óculos escuros!
Sorrir, sorrir, sorrir! Gratuitamente!
Respirar livremente!
Quem consegue não se acostumar
sobrevive.
Quem foge do masoquismo típico
dos humanos.
Quem chuta, chia, mia, morde
e se vê no espelho,
resplandecente.
Sobrevive.
E se ama, acima de tudo,
mas jamais se acostuma.”
(16/07/2007)
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Oi Cristina,
Estou lendo O Poder da Kabbalah de Yehuda Berg, revelador.
Se cuida,
Silvana
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Obrigada 🙂
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Muito bom reler esse poema, cinco anos depois, Cris. Ao mostrá-lo novamente, a poeta reafirma a disposição de não se deixar abater pelas crueldades cotidianas impostas pela própria condição humana.
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Às vezes a gente se abate, mas o importante é seguirmos em frente!
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Muito legal o post! Achei recentemente uma história incrível de superação! Para quem se interessar o link é esse aqui:
http://publivida.org.br/outros/jovem-da-dicas-no-facebook-para-melhorar-o-astral-durante-a-quimioterapia/
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Obrigada pela dica 🙂
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