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Está com insônia? Seu lugar é no cinema.

Não vá ao cinema para ver: UM LUGAR QUALQUER (Somewhere)

Nota 5

Primeira cena: passa um carrão velozmente. Faz uma curva à esquerda. Você segue ouvindo seu barulho, sem enxergá-lo. Ele reaparece, fechando o circuito, e continua. Faz uma curva à esquerda. Você segue ouvindo seu barulho, sem enxergá-lo. Ele reaparece, fechando o circuito, e continua. Faz uma curva à esquerda. Você segue ouvindo seu barulho, sem enxergá-lo. Ele reaparece, fechando o circuito, e continua. Faz uma curva à esquerda. Você segue ouvindo seu barulho, sem enxergá-lo. Ele reaparece, fechando o circuito, e continua.

Se você se cansou só de ler o parágrafo acima, imagina eu lá na sala do cinema, assistindo a isso. Bocejos.

Logo depois, o protagonista, um ator milionário de Hollywood chamado Johnny Marco, aparece bebendo e fumando. Bebendo e fumando. Bebendo e fumando. Mexe numa pêra de plástico na fruteira, põe ela de volta. Bocejos.

Pouco adiante, o mesmo cara se vê diante de gêmeas dançando pole dance, vestidas de enfermeiras, num tempo interminável (o tempo inteiro de uma música, pra vocês terem uma ideia). Juro que muito pouco tempo depois, lá estão elas de novo, no mesmo tempão sem fim. Bocejos.

Ok, a diretora, Sofia Coppola, quer demonstrar como a vida de Johnny Marco é vazia, é entediante, é um saco, é insignificante no meio daquela dinheirama rasgada com coisas fúteis. Legal, Sofia, mas eu já tinha entendido isso naquela primeira cena. Não precisa dar o mesmo recado 20 vezes. Dar o recado 20 vezes é transportar o tédio da vida de Johnny para o espectador, e as coisas não precisam ser assim nos bons filmes.

Pior: não é a primeira vez que ela faz isso. No aclamadíssimo (e superestimadíssimo) “Encontros e Desencontros“, a coisa ia pelo mesmo caminho. Um ator famoso e ricaço, vidas vazias, blablabla. Um tédio mortal e muitos bocejos, apesar da fotografia linda e dos atores excelentes.

Duas vezes não dá, Sofia. Vira o disco!

O que salva Somewhere é, mais uma vez, o elenco. Stephen Dorff faz muito bem o papel do crianção mimado. E a crescidinha Elle Fanning sempre foi ótima quando criança e promete para o futuro. O roteiro também ganha ritmo mais para o meio, com cenas até engraçadas sobre o lado patético da vida de Johnny, mas piora de novo no fim, que é longo e, sério, não poderia ter terminado de forma mais inverossímil.

A filha do poderoso chefão do cinema teve bons momentos em As Virgens Suicidas e Maria Antonieta. Mas empatou o placar com dois filmes ruins*. No quinto, vou pensar cinco vezes antes de pagar R$ 20 para entrar no cinema.

 

* Um monte de gente amou os dois filmes que detestei, então é isso: gosto não se discute mesmo. Eu detestei, independente dos Oscar, Globo de Ouro, críticas babando ovo e exclamações na sala do cinema. E acho todas essas manifestações incompreensíveis.

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

4 comentários em “Está com insônia? Seu lugar é no cinema. Deixe um comentário

  1. Eu não vi “Um Lugar Qualquer” mas DETESTEI “Encontros e Desencontros”.
    Lembro que quando vi achei que ia ser um super filme, visto que quem me indicou tinha me indicado um maravilhos “Antes do amanhecer” um pouco antes, e eu amei.
    Daí achei que ia amar esse também mas é bem isso que você falou…
    Um vazio tedioso!

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