‘Turma da Mônica: Laços’, uma frustração para uma fã dos gibis da infância

Em cartaz nos cinemas: TURMA DA MÔNICA: LAÇOS
Nota 6

Li em algum lugar que “Turma da Mônica: Laços” era o melhor filme infantil da história já produzido no Brasil. Apesar de pensar, suspeitissimamente, que seria difícil chegar ao patamar de “Menino Maluquinho”, fui ao cinema pensando: vá lá, quem sabe o filme live action conseguiu mesmo fazer jus a esta obra incrível que Mauricio de Sousa criou há nada menos que 60 anos e que já divertiu gerações e mais gerações.

A verdade é que o diretor Daniel Rezende foi bastante corajoso em encarar essa empreitada. Eu, como uma dentre os milhões de leitores vorazes de gibis da Turma da Mônica, fui ao cinema com olhar muito mais crítico do que generoso.

Pode ter sido excesso de olhar crítico da minha parte, mas o fato é que saí do cinema um pouco frustrada com a obra. Vou começar pelo começo: a escolha dos atores. A Mônica de Giulia Benite ficou muito fofa. A Magali da magrinha Laura Rauseo foi uma das melhores escolhas. A personagem foi responsável pelos melhores momentos humorísticos do filme. O mesmo não se pode dizer do Cebolinha cabeludão (!!) de Kevin Vechiatto e muito menos do Cascão cabeludão (?!) de Gabriel Moreira. Os dois mocinhos da turma não têm nada a ver com os personagens! Mas, claro, isso já vem sendo falado há meses, quando os atores foram anunciados em tudo quanto é lugar.

O protagonista de verdade é o Cebolinha, não a Mônica.

Agora vamos para o roteiro: além de eu ter achado a história muito fraquinha, com muitos momentos de buracos, em que nada acontece de verdade, e bem longe das emoções despertadas, por exemplo, por “Menino Maluquinho” (cena do balão, cena da morte, cena da separação etc), uma coisa me incomodou de verdade: o filme deveria se chamar Turma do Cebolinha, e não Turma da Mônica!

A história é sobre o sumiço do Floquinho, o cachorro verde do Cebolinha. Ok, já se esperava que o baixinho que fala elado tivesse, portanto, um bom destaque na trama. Mas daí a se tornar o protagonista disparado, achei um exagero. Mônica é a principal, pô! Em uma cena do filme, que até foi parar no trailer, eles discutem se são a turma da Mônica ou do Cebolinha. Ela ameaça com o Sansão e acaba ficando da Mônica mesmo. Mas então a baixinha limitou-se a ser uma menina que resolve toda e qualquer questão na base da ameaça e da porrada? Eu não me lembrava disso, e não era assim a Mônica dos gibis.

Seja como for, se alguém se der ao trabalho de cronometrar, verá que o Cebolinha aparece o dobro das vezes que a Mônica. Ele começa e termina o filme. Isso não faz o menor sentido, é quase uma afronta à protagonista criada pelo Mauricio de Sousa.

(A propósito, essa discrepância se refletiu na vida real dos atores. Enquanto o ator do Cebolinha tem mais de 2 milhões de fãs no Instagram, a atriz da Mônica tem 150 mil…).

Outra coisa do roteiro que me chamou a atenção negativamente foi o excesso de puberdade dos personagens. Os garotinhos do gibi tinham, se não me falha a memória, 7 anos. No filme, são todos pré-adolescentes doidos para namorar uns com os outros. Claro, depois o Mauricio de Sousa criou os jovens da turminha, já bem crescidinhos (e que não são da minha época), mas este também não é o caso de “Laços”. Estamos falando de crianças com seus 10 a 11 anos, mas parecem mais interessados em se apaixonar do que em brincar. (Imagino que estejam em sintonia com as crianças de 10 anos de hoje em dia…)

E agora eu chego a um detalhe que me incomodou na estética do filme. O figurino é impecável. O bairro do Limoeiro é retratado com o mesmo charme que sempre imaginei. Os outros atores ficaram muito legais, inclusive a mãe do Cascão parece ter saído de uma página de revistinha, de tão idêntica. Mas a iluminação é sempre aquela luz alaranjada de pôr do sol! O dia transcorre inteiro naquela iluminação artificial. Fica bonito pra danar? Fica. Mas também fica inverossímil.

Mas o que importa é que a sala de cinema aplaudiu no fim, então imagino que o filme tenha agradado à maioria das pessoas. Talvez tenha mexido com a nostalgia dos mais velhos, talvez tenha encantado os pequenos. Talvez eu esteja com dor de cotovelo por causa do “Menino Maluquinho”, alguém irá dizer. Mas minha frustração foi muito mais por conta de eu ser fãzona da Turma da Mônica do que pela comparação entre filmes de personagens literários tão marcantes.

“Menino Maluquinho” virou um clássico. Em terra de Xuxas e Trapalhões, torço para que “Turma da Mônica”, apesar de minha rabugice, se torne um clássico também.

(E vida longa ao Louco, do sempre genial Rodrigo Santoro! O cara é tão fera que só fez uma pontinha e já fez a diferença no filme.)

Rodrigo Santoro louco

 

Assista ao trailer do filme (que é melhor que o filme em si):

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A Copa do Mundo me transportou para a infância

Ontem, dia de jogo (bonito) do Brasil, acho que 80% da cidade estava de folga. Parecia um feriado e, durante a partida, as ruas ficaram desertas, como se estivéssemos em uma cidade fantasma (veja AQUI!). Foi por isso, provavelmente, que vi uma cena que me transportou direto para meu passado.

Estava eu seguindo pela avenida Amazonas, a caminho do trabalho (para jornalistas dia de Copa é de trabalho em dobro), quando parei no sinal vermelho. Olhei para o lado distraída e, subitamente, fui engolida por um túnel do tempo e voltei 20 anos atrás.

O que vi, nessa viagem ao passado, foi uma rodinha de crianças jogando algo que parecia com uma peteca, no meio de uma rua chamada Limoeiro! Pra começar, eu nem sabia que havia uma rua assim tão “Turma da Mônica” cortando a agitadíssima avenida Amazonas, como um riachinho que deságua no gigante das águas. E lá estavam elas, as crianças, brincando BEM NO MEIO DA RUA!

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Olhei pra frente, o sinal abriu, e não tive outro remédio a não ser continuar. Mas aquela imagem ficou dançando em minha cabeça, porque fazia anos e anos que eu não via crianças brincando no meio da rua em BH. No bairro onde eu morava quando criança, era a coisa mais comum do mundo: elas colocavam os chinelos marcando o gol, se dividiam em times, e começava a pelada! Hoje aquela rua está tão movimentada de carros que isso seria impossível.

É claro que em alguns bairros mais distantes ou ruas escondidas e sossegadas ainda deve ser comum ver crianças brincando. Mas ali, numa transversal da avenida Amazonas, a menos de um quarteirão da avenida, isso me pareceu fantástico. Quase desci do carro para me certificar se ali não estavam a Mônica, a Magali, o Cebolinha e o Cascão.

Tem gente que reclama do feriado forçado que a Copa do Mundo provoca (tem, né?). Mas, depois que vi essas crianças voltando ao passado e se aproveitando do clima tranquilo e festivo da cidade, definitivamente não tenho nada contra. A bem da verdade, acho até que rejuvenesci um pouco 🙂

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