Já tomou sua cerveja falsificada hoje?

Foto da minha antiga janela. (CMC)

Foto da minha antiga janela. (CMC)

É difícil tomar cerveja de qualidade no Brasil.

Pra começar, somos dominados pelo monopólio da Ambev, dona das marcas Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia, Original, Quilmes, dentre outras menores, além de distribuir produtos da Anheuser-Busch InBev (que é dona da Ambev), como a Budweiser e a Stella Artois. A empresa respondeu por 67,9% do mercado brasileiro de cervejas em 2012.

O problema é que essas cervejas são, em sua maioria, feitas com cereais mais baratos e de pior qualidade do que a tradicional cevada. O físico e professor emérito da Unicamp Rogério Cezar de Cerqueira Leite já tinha alertado para o uso indiscriminado de milho no lugar de cevada em artigo de 2009. Mais tarde, em 2012, uma pesquisa da USP confirmou a percepção, não só nas cervejas da Ambev mas também em outras marcas, como a Nova Schin.

Só que a coisa ainda piora.

Os donos de bares, querendo faturar ainda mais (não bastasse o tanto que a cerveja já é consumida no Brasil, por preços cada vez mais escandalosos), falsificam as cervejas estregues ao consumidor. Trocam rótulos e até tampinhas (!) para vender gato por lebre.

Já constatei isso pessoalmente em um bar badaladíssimo na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Estava lá com meus amigos, tomando “Original” a cabeludos R$ 7,50, quando meu namorado saiu para buscar algo no carro. Na hora, ele viu um caminhão sem logomarca descarregando vários engradados de cerveja sem rótulo. Caixas e mais caixas. Voltou contando isso na mesa e fizemos o teste, puxando o rótulo daquela “Original”. O resultado previsto: ele saiu inteirinho, sem nenhuma cola, como se estivesse grudado com cuspe.

(Só não coloco o nome do bar aqui porque não tenho provas além do nosso testemunho e não ouvi o dono do bar para cravar uma informação tão grave, que pode manchar o nome dele pra sempre. Mas não me importo de contar pessoalmente aos amigos que me perguntarem.)

E quem não se lembra do tradicionalíssimo Bar Léo, em São Paulo, que vendia chopp Ashby no lugar do mais caro chopp Brahma? O gerente foi preso, o bar foi lacrado, e só foi reaberto quando o Bar Brahma decidiu comprá-lo. Quantos não tomaram um chopp pensando que era outro até que alguém de paladar mais apurado denunciasse? E não é tão fácil assim de perceber, já que, como eu já disse, todas as cervejas estão com qualidade ruim. Há algumas piores do que outras, mas o pior é eles enganarem o consumidor tão descaradamente. No caso do bar Léo, não duvido que a própria Ambev tenha percebido o engodo e denunciado.

O caso mais recente aconteceu ontem. Um esquema foi descoberto pela PM em Sete Lagoas, região metropolitana de Belo Horizonte*. Os caras pegavam a terrível Glacial e a disfarçavam manualmente como Skol e Brahma, com direito a rótulo e tampinha (quem as fornece? Será que a polícia vai mais a fundo nisso?). Foram apreendidas 260 caixas de cerveja, o equivalente a 6.240 garrafas, que iriam para bares da própria cidade e de cidades vizinhas, incluindo Beagá. Será que iria para o bar do Centro-Sul onde flagramos o trote?

A Glacial é uma das piores cervejas que já tomei, que só vale pela nostalgia que me traz, ao lembrar dos tempos em que íamos direto da aula na UFMG para o mal-afamado “Bar do Real”, lá perto, tomar Bohemia a R$ 1,98, Skol e Brahma a R$ 1,30 e, estudantes pobres que éramos, umas últimas garrafas de Glacial a R$ 1. Naquele tempo (nem faz tanto tempo assim), a cerveja em Beagá ainda era vendida na casa dos R$ 3. Fui a São Paulo, em 2008, contando isso pra todo mundo, escandalizada com os R$ 5,50 que custavam as cervejas de lá. Quando voltei, no ano passado, encontrei as cervejas sendo vendidas em Beagá a R$ 6, R$ 6,50, R$ 7… Que inflação foi essa?

Nesses tempos difíceis, quem quiser relaxar com uma cervejinha precisa mesmo desembolsar (nem tanto) mais e encarar as artesanais e importadas

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* Ninguém está livre desses esquemas, nem no interior. Outros parecidos já foram descobertos no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro, GoiâniaMontes Claros, Juiz de Fora, Divinópolis… E quando a própria fabricante adultera dez de suas marcas…?! :O

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Canapé: diversão garantida

Nova fachada do Canapé. (Foto: CMC)

Frequento o Canapé Kneipe há mais de cinco anos e é o meu bar favorito de Beagá, onde já comemorei meu aniversário duas vezes.

Ele existe na Alemanha desde 1948 e hoje tem cinco franquias lá e uma no Brasil, na minha cidade de céu azul — desde 1987!

O criador do bar é fabricante de cerveja há várias décadas e o chopp de lá sempre foi gostoso e geladinho, um dos melhores para tomar na cidade. Agora o bar acaba de lançar a cerveja/chopp Soft Beer, que também é leve e saborosa.

Até as 21h, pelo menos nas quintas, você pode jogar no dado com o garçom. Se ganhar, não paga pelo chopp. É legal mesmo se você for azarado, porque os garçons de lá também não são muito sortudos no dadinho (tem três ótimos garçons, gente-boníssimas, que nos servem freneticamente, e que estão lá desde antes de eu começar a frequentar o bar).

Além disso, o bar tem todas as comidas típicas alemãs, com direito a tábua de todos os salsichões, salsichão ao molho curry, chucrute etc. Embora a tábua do tradicional filé com fritas seja uma das melhores.

Mas o que faz a diferença do Canapé é a programação. Não gosto muito das bandas que tocam lá, às sextas e sábados, nem do Stand Up que existe às terças (pelo menos não gostei da palhinha que vi ontem).

Mas, quando eu morava em Beagá, batia ponto no Canapé toda santa quinta-feira, dia do quiz, ou Quinta Master!

Funciona assim: cada mesa forma uma equipe e recebe uma cartela com espaço para dez perguntas (a nossa, ultracampeã, tem o nome infame de Equipe-intão, por causa de um trocadilho involuntário que um amigo soltou logo no primeiro dia. Sou membro-fundadora dela, rs).

O Pacote, apresentador muito peça rara, faz, em cada rodada, dez perguntas de conhecimentos gerais, algumas com múltipla escolha, outras não. No final da rodada, ele conta quem fez mais acertos e o vencedor leva um fardo com seis cervejas de 600 ml de prêmio. Se tiver havido empate, a decisão vai no dado.

São três rodadas, que vão aumentando em nível de dificuldade, sempre valendo um fardo de cerveja. No final da noite, quem fez mais pontos ganha um cheque de R$ 100 para gastar lá no Canapé mesmo. O segundo lugar leva uma garrafa de Red Label.

Ontem, após responder a perguntas de história, cinema, quadrinhos, chutes absurdos (tipo “qual a média diária de sono das girafas”) etc, minha equipe ganhou nas três rodadas (perdendo duas no dado) e na pontuação geral da noite.

Também existe um ranking mensal e anual, que esqueci o que ganha.

Vocês podem perguntar: mas ninguém cola, com todos esses celulares conectados à internet? Bom, deve ter algum mala que faça isso, mas a graça do jogo é justamente testar a capacidade da equipe de saber as coisas, então a gente conta com o bom senso dos demais participantes. De qualquer forma, é tudo muito rápido, então é difícil para os desonestos.

Enfim, recomendo muitíssimo o Canapé, pela diversão de quinta, pelas comidas alemãs gostosas, pelo ótimo chopp, pelo excelente atendimento e até pelo clima do lugar. E fiquei super alegre ao ser informada, ontem, que será aberto um “Soft Beer” bar em São Paulo, com o quiz do Pacote uma vez por semana, provavelmente também a partir das 21h30.

A data para isso acontecer ainda não está confirmada, mas, assim que eu souber, publicarei aqui no blog. A Terra Cinza ganhará mais um cantinho de Beagá 😀

***** (ótimo)

$$ (de R$ 25 a R$ 40 por pessoa)