‘O Aeronauta – Oito’, de Cecília Meireles

Ó Linguagem de palavras
Longas e desnecessárias!
Ó tempo lento
de malbaratado vento
nessas desordens amargas
do pensamento…

Vou-me pelas altas nuvens
onde os momentos se fundem
numa serena
ausência feliz e plena,
liso campo sem paludes
de febre ou de pena.

Por adeuses, por suspiros,
no território dos mitos,
fica a memória
mirando a forma ilusória
dos precipícios
da humana e mortal história.

E agora podeis tratar-me
como quiserdes – que é tarde,
que a minha vida,
de chegada e de partida,
volta ao rodízio dos ares,
sem despedida.

Por mais que seja querida,
há menos felicidade
na volta, do que na ida.


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