Nos últimos posts desta semana, falei sobre minhas oficinas de educação midiática voltadas para crianças e sobre um dos livros que indico nessas oficinas, “A Geração Incrível”.

Não é novidade que as redes sociais tenham deixado as pessoas, de todas as idades, totalmente viciadas. Este é um dos temas que aparecem no livro e que também abordo nas minhas aulas. Uma coisa que falei para a criançada foi:

“se vocês perceberem que aquela rede social não está te fazendo bem nenhum, só serve pra perder tempo, pulem fora!“

Na verdade, a recomendação dos experts no assunto é que ninguém com menos de 16 anos entre em uma rede social. Porque elas não foram feitas para crianças e adolescentes, que ainda estão muito vulneráveis a seus mecanismos, são propositalmente viciantes e podem trazer prejuízos concretos nessa faixa etária, como ansiedade, depressão, cyberbullying e muitos outros.

Mas a realidade é muito diferente. Numa enquete informal que fiz entre os alunos de 10 e 11 anos, 73% disseram ter WhatsApp e estar em pelo menos um grupo de zap e 62% disseram ter perfil próprio em alguma rede social.

Mas acho que o problema das redes sociais é geral. Afeta pessoas de todas as idades, inclusive adultos. E eu falo muito disso aqui no blog, né. Por exemplo, neste post de maio, “Quanto da sua produtividade (e da sua vida) seu celular está sugando?”, em que escrevi:

“Você já parou pra pensar quanto tempo está PERDENDO navegando, sem rumo, pelo Instagram, TikTok, Google Discover e outras redes sociais?

O que daria pra você fazer com esse preciosíssimo tempo?

Quando saí do Instagram pela primeira vez, em 2024, escrevi aqui no blog que fiquei encantada ao perceber um latifúndio de uma hora livre se abrindo na minha agenda. Em 2025 acabei voltando, muito para divulgar meu livro e minha empresa. Mas resolvi sair de novo no começo deste ano.

Foi em fevereiro, já estamos em maio, e posso dizer que senti e ainda sinto ZERO falta de navegar naquelas águas. Principalmente porque ganhei mais tempo livre, seja para ler, nadar, descansar ou até mesmo, se eu quiser, trabalhar. Ou não fazer nada, simplesmente.”

Já estamos quase em outubro e eu continuo com ZERO vontade de voltar ao Instagram. Não cheguei a excluir a minha conta, porque ela virou um arquivo de um pedaço da minha vida, bem organizadinho em pastas, inclusive, mas removi todos os “seguidores” e deixei meu perfil totalmente fechado. Além disso, parei de entrar, interagir, ver os perfis dos outros.

E como isso me fez bem…!

Tempo que gasto no Instagram desde que saí de lá é de ZERO MINUTOS por dia. Foto: Reprodução em 24.9.2026
Tempo que gasto no Instagram desde que saí de lá é de ZERO MINUTOS por dia. Foto: Reprodução em 24.9.2026

No dia em que resolvi sair de lá, em 23 de fevereiro, escrevi o seguinte, à guisa de uma despedida:

“Decidi sair do Instagram.

Por enquanto não vou excluir a conta, como fiz há anos com o Facebook. Tem muitas memórias (principalmente do Luiz) organizadas aqui, então acho mais fácil só deslogar ou excluir o app.

Foi o que fiz na maior parte do ano de 2024, e não senti nenhuma falta daqui. Na verdade, depois de um tempo, fiquei aliviada por ter saído.

Não sei por que voltei. Na verdade sei: abri uma empresa e lancei um livro e achei que estar no Instagram me ajudaria com as duas empreitadas. Spoiler: não ajudou rs.

Eu já tava planejando sair de novo quando as discussões eleitorais começassem, porque ando sem estômago pra política. Mas hoje resolvi antecipar. É que dei uma nadada mais longa que o normal, onde pude refletir um cadinho, e percebi que esta rede social me faz mais mal do que bem.

Tem dias, como hoje, em que ela me faz sentir pequenininha, insignificante mesmo, igual um grãozinho de areia, ou um ponto no meio do nada.

(…) Quem gostava de ler meus textos por aqui ainda pode acompanhar no blog (kikacastro.com.br) ou no LinkedIn, onde ainda vou continuar por um tempo.“

Perdi alguma coisa importante desde essa decisão? Sinceramente, acho que não. As notícias realmente importantes chegam a mim por outras vias.

E todos os posts que eu fazia por lá? Inclusive os posts do blog, que compartilhava por lá? De novo: perda de tempo. O blog continua ativo e, quem quiser ler com regularidade, que assine.

Uma das coisas que mais me incomodam, inclusive nas postagens feitas por pessoas queridas, é que não há nada de espontâneo mais ali naquela rede social. É tudo feito para provocar “reações” de outras pessoas. É tudo (ou quase tudo) performático. Sem falar na inundação de textos feiosos feitos com IA.

E eu, sinceramente, não tenho tempo pra isso. A vida é muito curta e tenho preferido vivê-la do lado de cá das telas, o máximo possível. Principalmente porque, como jornalista, tive que viver muuuuuuito para o lado de lá das telas, criando conteúdos para agradar algoritmos.

Não quero mais fazer isso o tempo todo e estou me empenhando, inclusive, por meio das minhas oficinas de educação midiática, para que as futuras gerações sejam mais livres e naveguem pelas águas da internet com mais sabedoria, consciência, respeito e de forma mais qualificada.

Fica minha sugestão para vocês também, como sugeri àquela criançada: sempre é tempo de sair daquela rede social que não serve pra nada, que não é útil, que só toma seu tempo. Pode ser o Instagram, pode ser outra. Seja qual for, garanto que não vai fazer a MENOR falta ;)

P.S. Reli o post que escrevi quando saí do Instagram pela primeira vez, em 2024, e os argumentos são IDÊNTICOS. Ou seja, meu erro foi ter voltado pra lá, em 2025 =P

Resumo: 12 motivos para sair do Instagram

  1. É uma rede social viciante, feita para nos manter o máximo possível de tempo lá dentro, criando conteúdos e/ou consumindo os conteúdos que têm a ver com nossos interesses. Ou seja, suga nosso tempo.
  2. O principal objetivo do Instagram é vender anúncios, o que a plataforma consegue fazer muito bem, já que tem todos os nossos dados lá. Então, além de gastar mais dinheiro com coisas que provavelmente não precisamos, estamos expondo tudo da nossa vida a quem paga mais.
  3. É uma rede social que gera gatilhos de ansiedade, inveja, ciúmes e outros sentimentos ruins. Como já dizia um estudo acadêmico de 2013, a rede social estimula a comparação com uma vida editada pelas pessoas de modo a parecer sempre sensacional e, consequentemente, leva à inveja (inclusive daqueles que genuinamente amamos e admiramos).
  4. É uma rede social que estimula a polarização de ideias, o preconceito e o ódio. Não é à toa que a extrema-direita está voltando com força em todo o mundo e que não existem mais candidatos competitivos “de centro” nas eleições ao redor do planeta. O algoritmo do Instagram (e de outras redes) só faz bombar e viralizar o extremismo, jamais o ponderado.
  5. Por outro lado, a gente só lê e vê conteúdos que nos agradam, o que nos mantém em uma bolha informacional que barra o contraditório e, justamente por isso, torna todo mundo tendendo a ficar mais radical em seus posicionamentos. Isso não é saudável: temos que ter acesso a ideias diversas, a debates e trocas, e poder pensar com nossa própria cabeça.
  6. Acabou a privacidade. Claro, dá para manter sua conta no Instagram fechada, que era o que eu fazia desde 2017. Mas, no geral, muita gente ainda se expõe completamente na rede social, compartilhando onde vive, o que comeu, com quem saiu, em que festa foi (nem dá mais para não convidar alguém para seu aniversário e a pessoa não ficar sabendo). O mais absurdo, pra mim, é o tanto de pai e mãe expondo onde os filhos estudam e suas rotinas. Fora que a privacidade para os anunciantes realmente não é uma opção, como já falei.
  7. É uma rede social exaustiva, fonte contínua de informações que nosso cérebro não consegue mais absorver. Como escrevi em 2024, é um excesso de informação/fofoca/notícia/anúncio/ruído/pensamento/grito/soluço/desabafo/paranoia chegando a todo momento. Essa fadiga está gerando problemas de saúde graves, como perda de memória e até aceleração da demência.
  8. Os conteúdos do Instagram são feitos para performar. Mesmo quando feitos de pessoas físicas para pessoas físicas, há muito pouca sinceridade e espontaneidade, muito mais obsessão com as reações que cada post vai provocar. Mas, fora isso, hoje a maior parte dos posts, seja para marcas ou “influencers”, são feitos por especialistas em performance.
  9. Os conteúdos do Instagram foram inundados pela inteligência artificial, especialmente nos últimos dois anos. Os textos e imagens estão cada dia mais pobres, feios, ruins de ler. Tem a ver com a questão de falta de sinceridade que falei logo acima, mas é uma coisa mais ampla, de queda de qualidade mesmo. Isso também acontece com força no LinkedIn, por exemplo, mas as legendas do Instagram viraram especialmente difíceis de engolir.
  10. É um antro de fake news. Claro, isso também não é “privilégio” só do Instagram. Tem muita desinformação no TikTok, no YouTube e, principalmente, no WhatsApp. Mas o Instagram agrega boa parcela da mentirada tosca que é criada para viralizar, inclusive com uso de deep fake.
  11. Os ex-chefões de gigantes da tecnologia, como Google, Facebook, Twitter e Instagram, entrevistados no documentário O Dilema das Redes, são categóricos ao dizer que não deixam seus filhos usarem Instagram e outras redes sociais, porque sabem como elas foram programadas para fazer mal. Um dos entrevistados diz: “Vá em frente! Saia do sistema. Isso, exclua! Saia dessa idiotice. O mundo é lindo. Está um belo dia lá fora.”
  12. E, pra mim, o melhor dos motivos: não perdi nada ao sair do Instagram. NADA, nada de útil. Todas as notícias que me interessaram chegaram até mim de outras formas. Não só não perdi absolutamente nada de importante como ganhei tempo livre, qualidade de vida, sossego e tranquilidade. Acho, inclusive, que a saída do Instagram me deu um empurrãozinho para buscar encontrar as pessoas de forma presencial com mais frequência.

Toda hora lembro de um motivo novo, mas uma hora essa lista tem que acabar, se não ninguém aguenta um post tão longo, rs! Vou parar por aqui =D

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