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‘West Side Story’: o peso da comparação inevitável

Vale a pena ver no Disney+: AMOR, SUBLIME AMOR (West Side Story)
Nota 7

 

Ariana DeBose (Anita) e David Alvarez (Bernardo) na canção mais legal do filme.

 

West Side Story“, o filme de 1961, venceu dez Oscars – incluindo de melhor e melhor direção do ano – e virou um clássico do cinema. Então é no mínimo arriscado Steven Spielberg fazer esta adaptação, 60 anos depois.

Mas aí está ela: com as mesmas belas músicas de antes, com coreografias impressionantes, além de atuações incríveis, inclusive da novata Rachel Zegler, que faz a protagonista María – que foi antes de Natalie Wood. Todos cantam, dançam, lutam, atuam.

Mas quem rouba a cena é Ariana DeBose, que faz a Anita. Em 1962, Rita Moreno (que tem uma personagem nesta versão criada especialmente para ela) ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por esse papel. E Ariana é a favorita para ganhar também, depois de já levar o Bafta, o Globo de Ouro e o prêmio do sindicato, dentre vários outros.

Além dela, esta versão colorida, e emocionante como a original, também concorre ao Oscar em outras seis categorias – incluindo a de melhor filme do ano. Tem boas chances de levar, por exemplo, por sua bela fotografia (a 15ª parceria de Janusz Kaminski com Spielberg), pelo design de produção, figurino. Pode até levar o prêmio principal da noite. E pode não levar nada além do prêmio de Ariana…

Difícil não comparar Ansel Elgort e Rachel Zegler a Richard Beymer e Natalie Wood.

Pode, pode, pode. Tem palavrinha mais irritante que essa? TUDO é possível! O que eu quero dizer com esse tanto de possibilidades óbvias é que, embora o novo filme tenha ficado muito bom, essas versões nem sempre agradam, justamente porque convivem com o peso e a sombra do original. Vejam o caso de Mary Poppins: em 1964, foi indicado a 13 Oscars, levou 5. Já O Retorno de Mary Poppins, de 2018, foi indicado em 4 categorias e não levou nadinha. Emily Blunt estava muito bem, mas como não compará-la com a inesquecível  Julie Andrews?

(Qual o melhor? Tem como ser bom independente do filme anterior?)

Por outro lado, Spielberg, que é um fã declarado desse musical da Broadway, se esmerou nos detalhes e foi muito correto. Ele insistiu, por exemplo, que todos os personagens porto-riquenhos fossem interpretados por atores latinos de verdade.

Essa insistência é pertinente. Se nos anos 50 aquela briga entre as gangues dos Jets e dos Sharks – americanos miseráveis e delinquentes versus porto-riquenhos que tentavam sobreviver num ambiente hostil – já fazia sentido, ela ganha um contorno ainda mais significativo em 2022, quando o mundo vive uma polarização talvez sem precedentes e a pauta da imigração, da xenofobia, persiste atual (infelizmente).

Quem diria que, sessenta anos depois, nada tenha realmente evoluído. (E que, séculos depois, o amor shakespeariano ainda mexa com a gente!)

 

Assista ao trailer do filme:

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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