Texto escrito por José de Souza Castro:

Não há ignomínia maior do que colocar Lula e Bolsonaro no mesmo saco, diz o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, ao comentar artigo de três grandes empresários que procuram um candidato que possa vencer os dois: “Qualquer coisa para derrotar Lula”. Algo que vai se configurando difícil, como mostra o DataFolha divulgado na semana passada.
Muito difícil também justificar o medo de empresários a Lula, tendo em vista seu histórico. Não vale dizer que é ignorante alguém que criou 17 universidades, com 31 campi. Que não é letrado, pois nunca leu Shakespeare, um presidente que mais deu atenção ao ensino médio.
Ou que foi maléfico para a indústria – acrescenta Cerqueira Leite – o homem que revitalizou a indústria naval, a de bens de capital e até a de informática.
Sim, mas Lula não fala inglês, nem francês, nem sequer espanhol e, portanto, não pode entender os negócios estrangeiros. Mas foi durante sua presidência que o Brasil, com sua política externa, teve o maior prestígio internacional.
E por aí vai Cerqueira Leite, tentando desvendar o mistério do medo dos grandes empresários a Lula, cujas empresas mais se beneficiaram durante seu governo. Não terá sido por ter cedido a pressões do centrão. “Mas que presidente não cedeu? Só Dilma, e viram o que aconteceu!”.
E conclui o autor do artigo:
“Por que comparam o mais bem-sucedido presidente do Brasil no período pós-ditadura ao facínora que está hoje no poder? Será saudosismo pelo defunto PSDB, o partido das elites? Não pode ser só isso. Talvez seja um impulso, primeiro, biológico. Rockefellers jogam golfe com Gettys e não com seus garçons. “Eles não são dos nossos.” “Um operário é um operário.” “Somos uma casta superior, nós, da elite.”
Como pode um operário presidir o Brasil? Dando ordens a nós, da elite? Eis a questão.”
E Bolsonaro? Diz o Data Folha: é considerado ruim ou péssimo por 53% dos brasileiros aptos a votar e ótimo ou bom por 22%. Sua melhor avaliação foi de 37% entre agosto e dezembro do ano passado, período em que o governo pagava auxílio emergencial maior e uma complementação salarial. Hoje não há mais espaço para aumento do Bolsa Família. E no ano das eleições, o crescimento econômico ficará abaixo de 1%.
Se querem comparação, a melhor que li hoje veio de Mário Sergio Conti, no UOL, num artigo intitulado “Bolsonaro é um personagem cuspido e escarrado de Shakespeare”.
O personagem é Ricardo III, que nasceu com dentes e, adulto, “rosnaria, morderia e seria um cão completo” pela vida afora. Assim como Bolsonaro, um presidente “mal encarado e de ódio à flor da pele”.
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