Texto escrito por José de Souza Castro:

Acho que nunca pensei que um dia ia escrever aqui um artigo elogiando um ato “insano” do presidente Jair Bolsonaro. Pois o faço agora, depois de muito pensar e de ter lido esta nota da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet).
Bolsonaro acertou ao demitir Roberto Castello Branco da presidência da estatal, que ele havia nomeado no início de seu governo a pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes – o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro que está mais para “Posto Shell”. Para entender, vale a leitura deste artigo, publicado também pela Aepet, justificando o lançamento da campanha nacional de boicote aos postos da Shell no Brasil.
E, de certo modo, justificando a greve dos caminhoneiros anunciada para dentro de alguns dias.
Claro que meu elogio a Bolsonaro, por enquanto, se limita à demissão de Castello Branco, amigo de Guedes. Longe de mim elogiar sua substituição por um general. A propósito, fui demitido da Petrobras por um general – Ernesto Geisel –, como relato aqui. Geisel era presidente da estatal e eu um simples operador de subestação elétrica na Refinaria Gabriel Passos, em Betim. O fato aconteceu há 50 anos, mas não me esqueci. Ainda…
Reafirmarei o elogio ao capitão, se ele, com a ajuda do general, mudar a política de preço dos combustíveis. Escreveu a Associação dos Engenheiros da Petrobras:
“Cabe ao senhor Joaquim Silva e Luna, o novo presidente indicado da Petrobrás, esclarecer se a política de Preços Paritários de Importação (PPI) continua, assim como o plano de privatizar 8 das 13 refinarias que representam 50% da capacidade de refino nacional. O parque de refino da Petrobrás é capaz de abastecer o mercado nacional de diesel e gasolina a partir do petróleo brasileiro, produzido pela estatal. Não é razoável vincular seus preços aos de Importação, mas sim abastecer aos menores custos possíveis, promovendo o desenvolvimento da economia brasileira e garantindo a capacidade de investimento da Petrobrás.”
Assino embaixo. Só não acho que esse general vai merecer qualquer elogio. Veja aqui o que ele pensa, como relata o repórter Vinicius Sassine:
“O general da reserva Joaquim Silva e Luna disse à Folha na tarde deste sábado (20) que a empresa está “no meio da sociedade” e que seus produtos finais, como combustível e gás, se destinam às pessoas.
Mesmo assim, o general indicado por intervenção de Bolsonaro nega a possibilidade de interferência na empresa e em sua política de preços. “Jamais haverá ingerência do presidente. Ontem [sexta-feira (19)], na nossa conversa, ele não falou nada disso”, afirmou Luna.”
Sendo assim, é possível que nunca mais eu pense em elogiar Bolsonaro. Ufa!
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