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‘O Horizonte’, ‘Incômodo’ e outros poemas de Luque Barbosa

Há alguns dias recebi o contato do leitor Luque Barbosa, que é morador de Niterói (RJ), tem 26 anos e, além de ser analista de marketing digital, é poeta. Ele publica seus escritos no blog Almar Poemas. E enviou cinco deles para serem compartilhados aqui no blog, no espaço dos textos enviados pelos leitores, que tem sempre as portas abertas! 😉

Por falar nisso, você também escreve poemas, contos, crônicas, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog 🙂

Agora vamos aos poemas do Luque. Selecionei três deles para este post. Boa leitura!


O Horizonte

O horizonte, em foto de Luke Moss (Unsplash / Divulgação)

O horizonte é o beijo
Do céu com o mar
Alumiado ao sol
Escondido ao luar

O horizonte é a soma
Igual ao nosso amar
A imensidão do céu
E a vastidão do mar

O horizonte é o ponto
O elo a nos atar
O mergulhar ao céu
No esvoaçar ao mar

Beijá-la é o horizonte
Que eu vivo a fitar
Do acordar do sol
À quietude do luar

Incômodo

Coração partido, em foto de Kelly Sikkema (Unsplash / Divulgação)

Meu peito arde
De dentro a fora
Oculto alarde
Não vai embora

O foco some
Depois a paz
Em minha fome
Me afundo mais

A mão no peito
É seguir só
Não têm efeito
À dor, um nó

O meu desejo
É a mão tornar
Algo intangível
Pra me alentar

Eu te admiro
Só penso em ti
Mas não confiro
O mesmo em si

Desisto em dor
Como covarde
Por este amor
Meu peito arde

A Mão que Guia o Pano Branco

De quantos panos brancos ainda vamos precisar? Foto: Pixabay / Divulgação

Eu sou branco, mas não sou racista
Não xingo de macaco os “mulatos”
Pois “denigre” minha imagem altruísta
Um pano branco nos meus atos

Eu repudio os colonizadores
Escravidão? Dó dessa trajetória
Já dou salário e quartinho… sem dores
Um pano branco nessa história

Muito tenho a discordar do nazismo
Kkk, só o meu riso ao digital
Votei 17 e não no fascismo
Um pano branco nesse mal

Não acredito na meritocracia
Na minha empresa tem diversidade
Mas eles devem fazer acrobacia
Um pano branco à desigualdade

Não julgo beleza à tonalidade
Até acho alguns pretos exceções
Os corpos que exalam sexualidade
Um pano branco nos padrões

Creio em Jesus Cristo, nosso salvador
Eu não toco a macumba, me dá ânsia
Sobretudo a Exu, me alertou o pastor
Um pano branco à ignorância

Com as autoridades, são impacientes
Os condenam por casos isolados
Cínicos, ignoram os precedentes
Um pano branco aos alvejados

O pano branco vem velar
Dos pretos, o sangue e as lágrimas
Mais uma vez, hão de sujar
Deixando-os por entre as lástimas

O pano branco vem limpar
Dos brancos, a culpa e o labéu
Mais uma vez, hão de sujar
Ocultando a posição de réu

Tal qual os tijolos da supremacia
És tu, que ali te sustenta, obsoleto
A sua mão, que funde-se ao pano que guia
Pinta, em branco, a existência do preto


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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