‘Green Book’: para mudar o mundo, e as outras pessoas, é preciso coragem

Vale a pena assistir: GREEN BOOK
Nota 10

Escrevo este texto logo após assistir a “Green Book”, e estou completamente arrebatada. Acho que fazia tempos que eu não via um filme que conseguia me enternecer, me fazer rir e chorar ao mesmo tempo, como este fez. Talvez, com a mesma intensidade, tenha ocorrido com “Intocáveis“, que também é sobre a amizade improvável entre um patrão rico (no filme francês, cadeirante, neste, negro em plena América segregacionista dos anos 60) e um funcionário divertido, durão, ignorante em vários sentidos, mas com grande sensibilidade.

“Green Book” é uma espécie de “Intocáveis” e, como naquele filme, também é baseado em fatos reais. Além da temática fortíssima, que alterna socos no estômago da gente com momentos de grande suavidade, temos dois atores que estão entre os melhores do cinema atual: Mahershala Ali, que já levou um Oscar por sua performance maravilhosa em “Moonlight” e levou o Globo de Ouro agora, e o experiente Viggo Mortensen, que foi indicado ao Oscar em 2017 por sua atuação no ótimo “Capitão Fantástico“. Os dois voltam a concorrer ao Oscar agora em 2019, fortíssimos no páreo. O filme também foi indicado à categoria principal, a melhor roteiro original e melhor edição.

Já falei sobre o tema, comparei com “Intocáveis”, mas tem mais coisas legais no roteiro de “Green Book”: é um clássico road movie, é baseado em história real, é sobre um dos maiores pianistas da história da humanidade, que, apesar disso, sofreu preconceitos absurdos nos Estados Unidos dos anos 60, é uma história de como duas pessoas excepcionalmente diferentes podem se mudar para melhor. E, apesar de ter tudo pra cair em muitos clichês, trata-se de um filme de diálogos inteligentes, que transcorre de forma agradável, passando as mensagens nas horas certas.

Além de Ali ter levado o Globo de Ouro por sua atuação (Viggo também concorreu, mas Christian Bale, em “Vice”, levou a melhor), o filme ganhou por melhor roteiro e como melhor filme de comédia. A propósito, “Green Book” é comédia mesmo? Assim como em “Infiltrado na Klan“, o roteiro do filme usa elementos de humor, muito refinado, para aliviar a dureza do racismo que é retratado ali. Mas minhas lágrimas foram mais frequentes que os sorrisos, e eu classificaria este filmaço como um “drama”. OK, vamos de “comédia dramática”, que está bem em voga atualmente.

Confesso que ando meio inconformada, porque sempre fui avarenta para liberar uma nota 10 a um filme e, ultimamente, tenho dado várias notas máximas. Terei virado uma manteiga derretida, que coloca a emoção acima de todos os critérios técnicos? Pode ser. Mas é isso mesmo: filme, para mim, é emoção, e a nota que eu dou é aquela que eu sinto logo que os créditos finais começam a subir, aquela sensação que foi deixada nos segundos após a telona ficar escura. Se é de êxtase, como neste caso, vai um 10, ou pelo menos um 9. Um sorriso bobo, uma vontade de ler mais a respeito, um desejo de escrever logo no blog? É 10, não tem jeito. Assistam.

O trailer do filme tem muito spoiler, mas se quiser ver, aí está:

 

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