Toninho Andrade se prepara para substituir Pimentel no governo de Minas

Toninho Andrade em maio deste ano, falando sobre ruptura com governador Fernando Pimentel. Imagem: Reprodução / TV Integração

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Tem gente que não aprende. A imprensa vem ocupando bom espaço nos últimos tempos para mostrar a Michel Temer que ele ter-se-ia dado melhor como “vice decorativo” no governo Dilma Rousseff, gozando quase incógnito de voos graciosos à Bahia pelo empresário Joesley Batista, da JBS. Era de se pensar que o vice-governador de Minas, Toninho Andrade, do mesmo PMDB, poria sua barba de molho. Mas, não. Ele quer ser governador no lugar de Fernando Pimentel, como Temer o foi no lugar de Dilma.

O repórter José Marques, da “Folha de S.Paulo”, revelou nesta quinta-feira que, em “articulação para assumir o governo de Minas Gerais caso o petista Fernando Pimentel seja afastado, o vice-governador Antônio Andrade (PMDB) é citado em planilhas da JBS, junto ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que apontam aproximadamente R$ 8 milhões em repasses. Os documentos foram entregues ao Ministério Público Federal pelo lobista Ricardo Saud, executivo da empresa, e indicam que os valores foram transferidos em 2014, durante a campanha eleitoral, por meio de contratos com escritórios de advocacia”.

Também presidente do PMDB de Minas, Toninho Andrade foi ministro da Agricultura no governo Dilma, indicado por seu partido. Na época, era deputado federal e, como tal, se elegeu vice na chapa de Pimentel, hoje denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República como um dos alvos da operação Acrônimo da Polícia Federal.

Se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolher uma das denúncias, Pimentel pode ser afastado do cargo, para gáudio do Toninho Andrade, que já “rompeu com o PT e passou a procurar aliados para um governo próprio”, conforme o jornalista José Marques. “Um dos trunfos do vice era um passado político sem grandes escândalos, mas isso mudou”, acrescenta.

Sem grandes escândalos, é verdade. A imprensa nunca deu grande importância ao Toninho, à exceção do “Toninho Malvadeza”, como era conhecido o governador baiano Antônio Carlos Magalhães, sogro de um dos donos da construtora OAS. Isso pode mudar.

Este blog já teve oportunidade de tratar do vice-governador de Minas, como se vê AQUI. Comecei por dizer quem era Toninho Andrade, nascido em Patos de Minas em 1936, formado em engenharia civil pela UFMG e filiado ao PMDB aos 34 anos. Dois anos depois, elegeu-se prefeito de Vazante. Em seguida, foi eleito deputado estadual e, após 12 anos nesse cargo, alçou-se a deputado federal, sempre pelo mesmo partido.

Dos três filhos – Aline, André e Eduardo – o do meio estudou engenharia agronômica, formando-se em 2009 na Universidade Federal de Viçosa. Antes disso, foi exonerado em 2 de outubro de 2006 do “cargo em Comissão de Assessor Técnico Adjunto D-CNE, do Quadro de Pessoal da Câmara dos Deputados, que exerce no gabinete do Presidente”. Não consegui saber desde quando ele era assessor de Aldo Rebelo, do PCdoB. Mas, se foi exonerado em outubro de 2006 e seu curso tem duração de quatro anos, presume-se que exercia o cargo em Brasília, enquanto estudava em Viçosa, distante 949 quilômetros por rodovia.

Outro filho de Toninho Andrade, Eduardo Lima Andrade Ferreira, engenheiro civil, foi nomeado presidente da Gasmig pelo governador Fernando Pimentel, 23 dias após a posse do pai como vice-governador. Eduardo tinha 33 anos. E a Gasmig não é qualquer estatal: só em 2013, faturou nada menos que R$ 1,5 bilhão. A maior experiência profissional de Eduardo tinha sido na Construtora Queiroz Galvão, entre 2007 e 2014. Ele participou do gerenciamento de contratos com a Petrobras nas obras da Refinaria Duque de Caxias (RJ), da Refinaria Abreu e Lima (PE) e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Como se sabe, entre os primeiros executivos de empresas contratadas pela Petrobras presos pela Lava Jato, para averiguação, estava o presidente da Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho. A prisão ocorreu 40 dias depois da eleição de Pimentel ao governo de Minas.

Depois de ouvir o ministro Gilmar Mendes na sessão de quarta-feira no Tribunal Superior Eleitoral, fiquei com a impressão de que tudo é possível neste país. Até mesmo que Toninho Andrade e seus brilhantes filhos tenham ainda muito a oferecer aos mineiros.

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