Para ver no cinema: ELEFANTE BRANCO (Elefante Blanco)
Nota 7
O ator argentino Ricardo Darín, 55, já atuou em 60 filmes e séries de TV, desde 1960, e me entristeço por apenas tê-lo conhecido no excelente “Nove Rainhas”, de 2000, e por só ter assistido a cinco daqueles filmes. Cinco, apenas!
Em cada um deles, me emocionei, chorei de rir ou vibrei com o suspense das malandragens interpretadas brilhantemente pelo ator que tem os mesmíssimos tons de azul dos olhos que Chico Buarque.
Anteontem fui ao cinema, aproveitando minha folga, e não tinha nada em cartaz de que eu já tivesse ouvido falar ou que ainda não tivesse assistido. Veria qualquer coisa, mas, por sorte, li que “Elefante Branco” tinha Ricardo Darín no elenco. Como diz minha amiga que foi amigo: foi o ator que nos ganhou.
Nem sabíamos o roteiro do filme, nem se era drama (como em partes de “A Dançarina e o Ladrão“) ou suspense (como “O Segredo dos Seus Olhos“) ou comédia (como “Um Conto Chinês“) ou uma baita aventura bem sacada (como “Nove Rainhas“). Fomos só assistindo, sem grandes pretensões, com a certeza de que Darín não nos decepcionaria.
E assim descobrimos que a Argentina tem os mesmos problemas que o Brasil de falta de moradia digna para todos, policiais violentos, tráfico de drogas nas favelas, crianças viciadas e sem perspectivas, governos que não concluem grandes obras nunca, dentre vários outros. Sem um sambinha que suavizasse a situação, o filme vai mostrando a realidade nua e crua do “elefante branco”, a obra inacabada no meio da favela de 30 mil moradores dominada por dois grupos de traficantes.
A única coisa que a Argentina parece ter de diferente do Brasil é uma infiltração muito mais poderosa da Igreja Católica, aqui representada por dois padres lutadores, Julián (Darín) e o gringo Nicolás (Jérémie Renier).
Para melhorar (ou piorar), o filme dá a entender que se baseia em fatos reais. Nossos hermanos não estão, afinal, em situação muito melhor que a nossa, quando se trata de direitos humanos. Uma pena.






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