Li outro dia que o filho do empresário Eike Batista, Thor, de 20 anos de idade, afirma ter lido o primeiro livro de sua vida (escrito pelo pai) só agora.
O primeiro livro da vida aos 20!
Fiquei meio chocada, confesso, porque o filho de um trilhardário certamente tem uma vasta biblioteca em casa, com todas as opções imagináveis de livros. Dinheiro para comprar a livraria particular, certamente ele tem. Uma daquelas “megastore” de shopping grã-fino.
Mas o fato é que ele nunca leu nenhum livro. Diz que lia resumos dos livros pela internet quando tinha que estudar para a escola. Não sei detalhes de sua vida, se fez vestibular por exemplo, mas, caso tenha passado, também recorreu aos resumos, pelo visto.
Fiquei deprimida. Tantas linhas ótimas que ele perdeu! Histórias mágicas como “A Volta ao Mundo de Mickey e Pateta”, baseado no clássico de Júlio Verne, que li aos 7 anos, presente de aniversário. Foi a primeira vez que saí do Brasil na minha imaginação. Tenho certeza que ele viajou para muitos outros países muito antes dos 7 anos, mas, mesmo assim, perdeu a estupenda aventura do balão de hélio que viraria bote…
E o que falar do “Menino Maluquinho“, que li aos 9 (meio tardiamente)? É quase que a formação de um caráter sendo forjada ali, no incentivo à criatividade e à imaginação, no desdém pela normalidade das coisas.
Aos 10, li “Alice no País das Maravilhas”, com ilustrações magníficas, e mais uma vez percebi que é bom ser um pouco amalucada, que não tem problema em ser um pouco petulante na vida, mas que é possível cair em armadilhas fatais (cortem-lhe a cabeça!) por conta da ousadia contra a hierarquia da sociedade (a cabeças são cortadas por isso até hoje).
Aos 11, li “O Caso dos dez negrinhos”, talvez meu primeiro livro de mistério, iniciando um vício pela Agatha Christie e a vontade de ser detetive no futuro.
Aos 12 ou 13, “O Homem que Calculava”, e aqueles desafios matemáticos sensacionais e um pouco de lógica no mundo. A lógica que também salva vidas.
E mais tarde veio a literatura russa, a brasileira em várias fases, os poemas, as pensatas, tantas aventuras e descobertas do mundo e da língua e das possibilidades infinitas dentro das nossas cabeças.
O que esse garoto perdeu…! É possivelmente um dos jovens mais ricos do mundo, certamente do país, e, ao mesmo tempo, tão pobre, pobre garoto.
Ontem mesmo fui a um amigo-oculto improvisado e cada um dos meus amigos levou um livro, que foi sorteado na hora. Comprei o meu a R$ 5 no sebo, alguns apenas levaram um bom livro que tinham na estante, e todos saíram felizes no final. É o tipo da coisa que dispensa dinheiro pra se propagar.
Inicio aqui uma campanha aos amigos de Thor e dos demais adeptos do “primeiro-livro-aos-vinte” que lerem este post: faltam 13 dias para o Natal, escolham os livros que marcaram suas vidas e presenteiem seus amigos com literatura!






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