Ir para conteúdo

Finalmente Natal, 15 anos depois

Sequência de cosquinhas na alma da festa de Natal

Sempre amei o Natal.

Mas, nos últimos 15 anos, não conseguia justificar por quê. Toda ceia de Natal era uma amolação, com aquelas conversas sem assunto, sempre formando rodinhas para separar grupos de pessoas que não se conhecem tão bem, todo aquele excesso de comida que exigiria sal de frutas depois. No fim da ceia, eu sempre voltava pra casa sentindo um vazio irritante, como se eu tivesse ficado o ano inteiro esperando por uma coisa e, na hora H, a Terra tivesse girado rápido demais e o evento tivesse sido tragado pelo cosmos. Insatisfação.

Nada a ver com minhas memórias de Natal com a avó, aquela casa lotada de tios e primos que deixaram a convivência desde que aquela senhora gorducha de perfume forte nos abandonou num infarto fulminante, em 1996, órfãos da alegria e das receitas deliciosas que só ela sabia fazer.

Mesmo assim, cultivei nesses anos todos meu espírito natalino. Quando digo cultivei quero dizer isso mesmo, porque mantive rituais para que isso fosse possível. (Um dia haverá um post exclusivamente sobre minha mania por pequenos rituais, meu TOC particular). Todo ano li as 117 páginas de “Milagre na Rua 34“, do Valentine Dabies, para renovar meu encantamento infantil e relembrar que Natal não é uma data religiosa, tampouco comercial. Natal é um estado de espírito, que remete à chuvinha insistente em Beagá, ao prazer de fazer listas enormes de presente e ir à falência até que todos ganhem um, ao prazer de comprar chocolates da Lalka para distribuir no amigo-oculto, às lembranças dos shows de Natal (também haverá um post à parte para eles, algum dia).

Também é comum eu reler “Conto de Natal“, do Dickens, nesta época do ano. São 98 páginas, de uma edição da Ediouro, se não me engano. As páginas estão tão amarelas e mofadas que só um milagre impede minha alergia de interferir na leitura dos sustos de Ebenezer Scrooge.

E há outros tantos rituais, mas vou poupá-los disso agora, porque post bom é post rápido.

Pois bem. Neste ano tudo foi diferente. Começou meio esquisito, um excesso de sol e céu azul às vésperas do Natal, como se Beagá estivesse dando de ombros pras minhas tradições chuvosas particulares. Continuou meio ruim, depois que reli “Milagre na Rua 34” em 50 minutos e percebi que a leitura tornara-se meio mecânica. E o pior era que o espírito natalino não batia em mim de jeito maneira!

Mas chegaram os irmãos, a casa foi se enchendo – e o melhor é que se encheu só com nosso nucleozinho familiar, mais os gritinhos de felicidade da primeira sobrinha-e-neta-e-filha da casa, a estrelinha da noite, a alma da festa.

E o Natal deste ano, como era antes de 1996, foi perfeito. Porque voltamos a ter quem acreditasse em Kris Kringle, porque voltamos a ter quem arregalasse os olhos com um presente (a propósito, uma bolinha de plástico que brilha e me custou R$ 2,99: crianças sempre gostam mais das pechinchas), porque não havia por que dividir a turma em rodinhas, porque os assuntos convergiam nas lembranças comuns da família e nas saudades que a distância geográfica nos impôs.

Finalmente meus rituais foram recompensados! Que venham mais cócegas e mais natais.

Categorias

Memórias

Tags

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

3 comentários em “Finalmente Natal, 15 anos depois Deixe um comentário

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: