‘Nós’: mais um terror com crítica social, mas com excesso de charadas

Veja nos cinemas: NÓS (Us)
Nota 7

Estou numa sinuca de bico com “Nós”. Acho que o principal motivo para isso foi ter assistido ao filme fazendo comparações com “Corra!”, o anterior do diretor e roteirista Jordan Peele.

E isso é inevitável, né? Afinal, Jordan Peele só tinha dirigido esse filme antes e, de cara, já levou um Oscar por melhor roteiro original. Um Oscar merecido, porque “Corra!” é muito legal.

Mas, se teve uma coisa que tinha me incomodado em Corra!, que me fez tirar dois pontos na nota que dei ao filme, era a referência excessiva na explicação final do filme. Quase um plágio de outro filme de que também gosto muito.

Pois bem, em “Nós”, o excesso de referências também é muito exagerado. Referências a outros filmes (homenagens?) e também autorreferências. Toda hora você vê um elemento que já viu antes. OK, isso é um recurso comum nos filmes de terror, mas acho que Peele exagerou na dose. Chega a um ponto que você fica caçando as charadas para matar ao longo do filme todo.

Fora isso, vejo dois problemas graves em “Corra!”. Um é que a explicação para os “vilões” do filme, digamos assim, é cheia de furos. É daquelas histórias que você não pode racionalizar demais, senão simplesmente não fecha. Outro problema é que o mistério final, digamos assim, me pareceu muito previsível. Talvez surpreenda algumas pessoas, mas eu não consegui soltar um “OOOOOOHHHHH!”, como fiz, sei lá, em “Sexto Sentido”. E Peele claramente queria que a gente soltasse essa exclamação. Mas usou um recurso que também já tinha aparecido em dezenas de filmes de suspense antes, então eu simplesmente já estava esperando que aconteceria ali também, bem antes das cenas finais.

Normalmente, em filmes assim, o espectador solta o OOOOOHHHHH e depois vai voltando no tempo, tentando perceber as pistas que estavam bem na cara antes. Essa parte é legal, e o filme tinha mesmo algumas autorreferências boas e sutis, mas é aí também que o buracos começam a aparecer.

Bom, mas comecei este post dizendo que estou numa sinuca de bico. Isso porque, embora eu tenha, até agora, só falado coisas ruins sobre o filme, que deixa a desejar perto de “Corra!”, a verdade é que as quase duas horas de duração fluem bem, num roteiro que tem a mesma pegada de crítica social que o filme anterior tinha, que também tem diálogos bem construídos, que tem doses de humor relativamente bem colocadas e que, de novo, evoca a escola dos filmes de terror mais clássicos, estilo Hitchcock, que não fica dando sustão toda hora, mas gera uma tensão crescente, mais lenta e mais contida. Por outro lado, desta vez, houve bem mais litros de sangue sendo espirrados na tela do que no filme anterior.

Pra arrematar meu dilema, temos um elenco de primeira, com destaque óbvio para a fenomenal Lupita Nyong’o, que tem apenas nove longa-metragens no currículo, mas já guarda na prateleira de casa uma estatueta de melhor atriz do Oscar.

Termino este longo post sem ter dito nem uma linha sobre o assunto do filme. Digamos que, se já o achei pouco surpreendente tendo ido à sala de cinema sem saber nada sobre o enredo, imaginem se eu já soubesse qualquer coisa. Quero preservar ao máximo o mistério para vocês.

Nota 6? Nota 7? Vou relevar os buracos e me concentrar no entretenimento final, além da crítica social, sempre muito bem-vinda no cinema, inclusive nos filmes do gênero terror. Nota 7 para “Nós”. Ou melhor, para “Us”. Existe diferença entre um nome e outro – nada é por acaso neste filme.

Assista ao trailer do filme (que é cheio de spoilers…):

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