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‘Um café’, por Tamara Ellen

A crônica abaixo foi enviada pela leitora Tamara Ellen Lacerda Figueiredo. Ela é estudante de Letras (licenciatura dupla em português-espanhol) na UFMG e sempre gostou de “de escrever, de imaginar e criar”.

Você também escreve crônica, poemas, contos, resenhas, análises…? Envie para meu e-mail e seu texto poderá ser publicado aqui no blog na seção dos leitores 🙂

Vamos ao texto da Tamara:

 

Um Café

 

Uma xícara de café. Foto: Emre / Unsplash

 

“Era uma tarde qualquer, em um dia nada importante, em uma cidade normal. Lá estava eu: sentada, observando a passagem dos automóveis, que não cessavam sua fluidez agressiva. O meu íntimo dizia: “Calma, ele ainda vai chegar”. Porém, como uma pessoa altamente racional, sabia que ele ia fazer com que meu café esfriasse. Eu realmente não desejava estar esperando. Sempre tive uma personalidade não muito favorável às esperas. Contudo, era ele.

Rompendo meu conflito interno entre coração e mente, ouvi um barulho. Alto o bastante para me tirar dos meus devaneios. Olhei para a rua, e vi algo. Era um rapaz: cabelos pretos, olhos castanhos e roupas nada monótonas. Ele vestia uma blusa com duas cores, em tonalidades que iam de um laranja forte a um azul claro, quase se unindo com as nuvens do céu. O mais notável era que ele se encontrava parado no meio da rua e todos os carros também. Algo acontecia ali e eu ainda não fui capaz de identificar. Como um indivíduo ouve um barulho, olha para o ocorrido e não o identifica? Pois bem, essa sou eu. E naquele dia percebi o porquê.

O café esfriou, o trânsito voltou a seu fluxo intenso e a vida mais uma vez passou. Naquele lapso de tempo, pensei: “Meu café não está mais tragável e eu não quero mais ser assim: nula”. Depois que retornei de Paris, comecei a não ver as cores, a importância dos eventos, e o mais essencial: que cada segundo passa. Meu amor por L.J. começou em Paris e agora morrerá em Amsterdã. Por que tão repentino? Porque me senti tocada pelo laranja e pelo azul, ou melhor, pelo sentido que havia perdido outrora.

Era um fim de tarde significativo, corriqueiro, reflexivo e, finalmente, colorido.”

 


 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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