‘Poderia me perdoar?’, um filme de dois personagens opostos, mas iguais

Vale a pena ver: PODERIA ME PERDOAR? (Can you ever forgive me?)
Nota 7

“Sou uma mulher de 51 anos que gosta mais de gatos do que de pessoas.”

Esta frase é dita, em dado momento do filme, pela protagonista Lee Israel, interpretada pela sensacional Melissa McCarthy (a querida Sookie de Gilmore Girls). É um resumo da personagem retratada neste filme biográfico, baseado em fatos reais.

Ficamos diante de uma pessoa absolutamente solitária, ranzinza, que não consegue interagir bem com outros seres humanos, não tem amigos, parece estar no fundo do poço. Os únicos momentos em que vemos um pouco de carinho emanando dela são em seu contato com sua gata de estimação.

Esta é Lee Israel, uma escritora que fez algum sucesso nos anos 70 e 80, basicamente com biografias, e que, neste começo dos anos 90 mostrado no filme, está completamente ultrapassada. É o fracasso em pessoa.

E o que ela faz para tentar reverter a situação? Resolve começar uma vida de crimes, falsificando cartas de escritores famosos, fazendo-se passar por eles.

O mais interessante dessa história é que ela fica verdadeiramente realizada com isso, porque é quando parece finalmente se encontrar como escritora. E ela tem talento real em se fazer passar por escritores como Dorothy Parker e Noël Coward: convence e encanta, como nunca fez sendo ela mesma.

A atuação de Melissa é ótima, embora eu não possa realmente dizer que ela está impecável na pele de Lee Israel – pelo simples fato de que eu nunca tinha ouvido falar nessa escritora até ver este filme. Mas o fato é que é uma personagem realmente intragável. Se tivéssemos que passar quase duas horas vendo só essa mulher, estaríamos perdidos, por mais que a história em si seja interessante.

O que torna o roteiro mais leve é que Lee encontra um único amigo, Jack Hock, interpretado brilhantemente por Richard E. Grant. O que ela tem de intragável ele tem de carismático. Ele está num poço ainda mais fundo que o dela, mas está sempre sorrindo e se virando com muita malandragem. É esse personagem que dá o “tcham”para a história. E o filme é praticamente só os dois, o tempo todo.

“Poderia me perdoar?” concorreu ao Oscar deste ano em três categorias merecidas: melhor atriz, melhor ator e melhor roteiro adaptado. Acabou não levando em nenhuma, porque o páreo estava duro, de toda forma. E até mesmo o tema não foi totalmente original neste ano, com “A Esposa” na jogada. Mas é um filme interessante, que vale ser visto, e que traz reflexões importantes sobre realização profissional, amizade, dentre muitas outras.

No mais, não li o livro autobiográfico de Lee Israel que deu origem ao roteiro deste filme (tem o mesmo nome: “Poderia me perdoar?”), então não sei se posso atribuir isso a ela. Mas vou apostar que sim: foi uma bela homenagem ao seu único amigo, pelo tanto que passamos a gostar dele assistindo a esta adaptação para o cinema. No fim, ficamos com a sensação de que Lee Israel pede perdão a muita gente, mas a uma pessoa em especial.

Veja o trailer do filme:

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