Ursal e os primórdios das fake news

Foi em 2001 que a professora universitária aposentada Maria Lucia Victor Barbosa cunhou o termo “Ursal”. Uma invenção, em tom de ironia, dentro de um artigo crítico a um discurso do Lula sobre a Alca – esta sim, uma sigla existente.

O artigo foi publicado originalmente num blog, reproduzido em outros, até entrar num telefone-sem-fio: aquela brincadeira em que um vai falando uma frase no ouvido do outro até chegar ao último, que invariavelmente escutou uma coisa totalmente diferente da original.

Pois bem, acontece que, no meio desse telefone-sem-fio, havia Olavo de Carvalho. O astrólogo que virou guru da direita ultraconservadora do país, resolveu tratar a piada de Maria Lucia como se fosse um fato, em artigo para o “Diário do Comércio”. Esse embrião das fake news (que hoje explodem com muito mais facilidade, graças ao advento do WhatsApp) foi revelado em reportagem da “Folha de S.Paulo” nesta segunda-feira (13).

Hoje, se você der uma busca pelo termo “Ursal” no Google, aparecem mais de um milhão de resultados. Muitos são devaneios dos seguidores de Olavo, do MBL, Bolsonaro e afins. Outras citações chegaram como enxurrada desde o debate presidencial da Band, em que o candidato Cabo Daciolo pagou aquele mico de citar a piada como se fosse verdade verdadeira, em pergunta dirigida a Ciro Gomes.

Tão ridículo que virou meme, e você já deve ter visto pelo menos um destes por aí, em suas redes sociais:

É triste que um sujeito como este, que transforma piada em verdade, seja o guru de candidatos com risco real de vencer um eleição presidencial.

Ou, como disse o leitor Eduardo de Lima em seus comentários na matéria da Folha:

Esse artigo mostra bem a “seriedade” criteriológica dessa extrema direita atual. Qualquer um que escute Olavo ou seus seguidores ralhando do alto de suas “cátedras” faceboquianas ou youtubeanas não tarda a perceber que não passam de um bando de malucos. Seria de rir se não estivessem influenciando diretamente dois candidatos à presidência. A epidemia é séria. (…)

Filósofos gregos ensinaram no Areópago, Jesus ensinou no Templo de Jerusalém, Paulo ensinou no Areópago, papas ensinaram em basílicas, teólogos e filósofos ensinaram em universidades, e Olavo ensinou no Orkut e Facebook. Atualmente vemos o resultado.

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Um comentário sobre “Ursal e os primórdios das fake news

  1. Duas semanas depois da publicação deste artigo da Cris, leio aqui (https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/366758/Petrobr%C3%A1s-%C3%A9-a-maior-v%C3%ADtima-de-fake-news-da-Hist%C3%B3ria-do-Brasil.htm ) um artigo revelando que a maior vítima de fakenews da história do Brasil é a Petrobras.
    Fakenews criadas exatamente por economistas, políticos, empresários e membros do judiciário e disseminados pela chamada grade imprensa. E, naturalmente, por Pedro Malan, o ex-presidente da empresa, sobre o qual me cansei de escrever.
    Importante ler o artigo no site Brasil 247, mas vale aqui um registro:

    “Em artigo conjunto para o 247, o presidente da Aepet, Felipe Coutinho, e o professor de Economia Política da USP Gilberto Bercovici desmontam as dez maiores mentiras disseminadas contra a Petrobrás, com intuito de entregar o pré-sal a petroleiras estrangeiras; “A destruição da Petrobrás e a entrega do pré-sal interessam a quem? Ao povo brasileiro ou a uma minoria privilegiada que vive de rendas no mercado financeiro? A resposta a essa pergunta é mais do que óbvia e a defesa da Petrobrás e do controle estatal sobre os nossos recursos petrolíferos é fundamental para o futuro do país como Nação livre e soberana”, dizem

    E a conclusão:

    “O Brasil, em seu processo de formação econômica, sempre oscilou entre duas grandes tendências e a exploração do pré-sal poderia conduzir o país tanto em uma, como em outra direção. Uma é a constituição de um sistema econômico nacional, autônomo, com os centros de decisão econômica internalizados e baseado na expansão do mercado interno, em um processo de desenvolvimento vinculado a reformas estruturais. Essa alternativa está sendo destruída pelo governo golpista instaurado em 2016. A outra consiste no modelo dependente ou associado, com preponderância das empresas multinacionais e do sistema financeiro internacional, dependente financeira e tecnologicamente e vinculado às oscilações externas da economia mundial.

    Caso se confirme a tomada do pré-sal pelas multinacionais petroleiras e o esvaziamento da Petrobrás, estaremos com grandes riscos de sermos apenas mais um fornecedor de óleo cru e de matérias primas, sem qualquer perspectiva de desenvolvimento e de integração social. Seremos apenas mais um Estado rentista, cuja oligarquia vive de parasitar as rendas obtidas com a venda de produtos primários e da superexploração da nossa mão-de-obra.

    A destruição da Petrobrás e a entrega do pré-sal interessam a quem? Ao povo brasileiro ou a uma minoria privilegiada que vive de rendas no mercado financeiro? A resposta a essa pergunta é mais do que óbvia e a defesa da Petrobrás e do controle estatal sobre os nossos recursos petrolíferos é fundamental para o futuro do país como Nação livre e soberana.”

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