
Texto escrito por José de Souza Castro:
No esforço de incentivar o crescimento econômico via desoneração fiscal, o governo acaba por agravar o problema da concentração de renda no Brasil. Como mostrou pesquisa do Dieese, publicada pelos jornais do dia 9 de abril, a desoneração dos produtos da cesta básica não foi repassada pelos fabricantes e supermercados aos consumidores.
O fenômeno da concentração de renda é mais visível no caso do óleo de cozinha, um setor industrial bastante concentrado. Ao contrário da expectativa de que, livre dos 9,25% de PIS e Cofins, o produto custaria menos ao consumidor, ele encareceu em média 0,56% em Belo Horizonte, no mês passado. E só não subiu mais porque, conforme o presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), José Nogueira Soares, o comércio resistiu a uma elevação maior.
Pode-se imaginar que sem a desoneração fiscal a cesta básica não teria encarecido em Belo Horizonte apenas 3,35% em março, mas as indústrias e os comerciantes teriam vendido menos e lucrado uns 6% menos.
O Dieese verificou que o preço da cesta básica aumentou em 16 das 18 capitais pesquisadas. No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a presidente da República, em pronunciamento em rede nacional de televisão, anunciou o fim da cobrança de impostos federais sobre os produtos da cesta básica. “Conto com os empresários para que isso signifique uma redução de pelo menos 9,25% no preço das carnes, do café, da manteiga, do óleo de cozinha, e de 12,5% na pasta de dentes, nos sabonetes, só para citar alguns”, disse Dilma Rousseff.
Um mês depois, entre os citados pela presidente, o preço do óleo aumentou em vez de cair e os que caíram não desceram ao patamar esperado: redução de apenas 2,41% no preço das carnes, de 4,38% no café e de 0,47% na manteiga. Não se sabe ainda o que aconteceu com a pasta de dentes, mas não há muita concorrência entre seus fabricantes brasileiros.
Uma das maneiras de os governos promoverem distribuição de renda é cobrar impostos de quem tem mais e distribuir parte do que for arrecadado aos que têm menos, por meio de incentivos à construção de moradias populares, por exemplo, ou de prestação eficiente de serviços à população, como escolas e hospitais.
Nosso governo vem cortando impostos – anteontem, foram os dos smartphones produzidos no Brasil – para animar os empresários a investirem, o que não tem acontecido num nível necessário para que, no futuro, possa arrecadar mais. O resultado é maior endividamento do governo e mais concentração de renda nas mãos dos que têm dinheiro a emprestar, cobrando altos juros.
A imprensa não se dá conta disso – ou finge que não. Como fez, ao omitir ao público a notícia de que ela também acaba de ser beneficiada pela desoneração fiscal. Como reparou o jornalista Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa, no artigo “Um presente para a mídia”. Abaixo os quatro primeiros parágrafos. O artigo completo pode ser lido AQUI.





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