Quando a história real é melhor que a ficção

Para ver no cinema: ARGO

Nota 9

Ben Affleck me confunde. O mesmo cara que é capaz de (mal) interpretar os papeis mais bobões de comédias românticas, escreve o roteiro do excelente “Gênio Indomável” e agora dirige e protagoniza (bem) o ótimo “Argo“.

De qualquer forma, independente de sua direção e de sua atuação, é difícil não gostar de uma história real espetacular, digna dos roteiros mais improváveis de Hollywood. Um resumo: em meio a uma revolução popular no Irã, após a queda do xá Reza Pahlavi (que se asilou nos EUA) e o início da era do aiatolá Khomeini, membros da embaixada americana no país são feitos reféns. Durante a invasão da embaixada pelo povo, seis americanos conseguem escapar e ficam escondidos na embaixada canadense. Se forem descobertos, serão feitos reféns com os outros ou mortos na hora. Para retirá-los de lá, o especialista em exfiltração interpretado por Affleck bola o plano de fingir que todos são partes de uma equipe canadense em busca de locações para um novo blockbuster.

É incrível pensar que isso foi, mesmo, planejado e executado pela CIA. Não vou dizer se deu certo ou não, porque o legal de um filme é seu suspense (e este tem tensão de sobra, em vários momentos). Mas a ideia, por si só, já é melhor que vários roteiros da ficção.

É claro que passa-se o filme inteiro torcendo pelos “mocinhos” americanos que estão naquela cilada e querem sair ilesos dela (embora há que se registrar que todos os personagens dos “hóspedes” são insuportavelmente chatos, sem nenhum carisma. Dá vontade, a certa altura, de deixá-los lá mesmo, por sua conta e risco). Mas uma coisa legal do filme é que não fica o tempo inteiro criando a imagem de iranianos malvados versus americanos bonzinhos. Pelo contrário, a todo momento somos lembrados de que os EUA apoiaram o regime do xá, que matou filhos dos iranianos agora revoltados, que, por sua vez, passaram a cometer suas próprias atrocidades em nome da religião. Simplesmente não há mocinhos e bandidos. E é corajoso mostrar isso no momento político em que vivemos, com as atuais primaveras árabes nas cercanias do Irã e a rivalidade entre Ahmadinejad e boa parte do resto do mundo.

Mas, enfim, o filme não vale por sua posição política diante de um fato de 33 anos atrás. Vale pelo roteiro bem bolado, inclusive com espaço para o humor (principalmente por meio dos personagens dos excelentes John Goodman e Alan Arkin), e pela atuação impecável de várias pessoas, que, aliás, como mostram as fotos no crédito final, ficaram idênticas às figuras reais que as inspiraram. Deixo uma dica de brinde: fiquem até o final dos créditos, porque há o depoimento de ninguém menos que Jimmy Carter, comentando a operação e seus desdobramentos (sigilosos) na época.

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2 comentários sobre “Quando a história real é melhor que a ficção

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