Foi só por ler as cartas dos leitores no caderno Equilíbrio, da “Folha” de hoje, que fui ler a coluna da atriz Denise Fraga, publicada na edição de terça passada.
O que os leitores disseram despertou meu interesse:
“Quantas tragédias evitamos com um sincero pedido de desculpas”, disse o leitor Marcus Machado.
“Acredito na força de uma palavra certa e dita com o coração”, complementou o leitor Ricardo Gagliardi.
Muitas vezes na minha vida já tive que pedir desculpas. Uma das mais graves foi quando briguei com uma grande amiga, de infância, meio levada por uma dessas “reações de grupo”, que todo mundo que tem um grupo tende a cometer, estupidamente, pelo menos uma vez na vida. Nada que o amadurecimento não resolva — porque todos já fomos adolescentes idiotas algum dia.
Ela tinha todos os motivos do mundo para me odiar e, assim que percebi meu erro, eu tive muito trabalho em fazê-la perceber que meu pedido de desculpas era sincero. Foram vários esforços da minha parte e muita boa vontade da parte dela. Hoje, felizmente, somos amigas de novo, acho que com a mesma intensidade que antes, embora com outras cabeças.
Também já desculpei toda sorte de mancadas, mesmo de pessoas muito queridas. De ex-namorado que ficou com outra, a amiga que ficou com o sujeito que, naquele momento, eu achava que era o amor da minha vida (claro que não era, mas na hora doeu).
Por outro lado, já me afastei de alguns amigos pelo simples fato de que, em vez de se desculpar por terem me machucado, ou deram de ombros, ou vieram com um “desculpa” torto, acompanhado por um “mas não fiz nada de errado”. Dói em dobro.
O texto da Denise Fraga é singelo, quase infantil. Brinca com o poder das palavras. Mas acerta ao dar importância e destaque à sinceridade delas.
É possível lê-lo AQUI. Um trechinho:
“Por conta desses pequenos deslizes, descobri o poder da desculpa no trânsito. Emparelho o carro, abro o vidro e, quando o sujeito já está crispado para começar a querela, falo a palavra mágica: desculpa.
É impressionante o poder que essa palavra tem quando dita assim, no meio do ciclone. Às vezes até recebo uma buzinada atrás, mas vale a infração. É divertido ver a revolução muscular no rosto do cidadão.”
Pedir desculpas é um gesto de humildade. De reconhecer um erro idiota e oferecer sua amizade, de coração e mente abertas, para o ofendido da vez. É dizer: “Errei mesmo, pisei na bola, mas quero recompensar. Vamos tomar um chopp e discutir como posso te ajudar a esquecer isso?”. É telefonar, interfonar, demonstrar que aquela pessoa tem alguma importância para você e, portanto, vale o esforço de fazer com que reconquiste sua confiança.
Não é só a palavra morta, a palavra vazia que pede, tão-somente, que se “tire a culpa”. Desculpar-se não é um ato de expiação dos próprios demônios (ou culpas), mas de libertação dos demônios deixados, com marca de fogo, em quem se gosta. Assumir a responsabilidade por eles para que, com alegria, o perdão seja possível.
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Adendo no dia 24.08.2012: segue uma mãozinha para os burocratas mais empacados :D







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