13 dicas para um desfralde (diurno e noturno) tranquilo para a criança e para os pais

Já fazia muito tempo que eu não postava nada sobre a lida da maternidade aqui no blog.

(Parêntesis para explicar que, até junho, eu trabalhava em uma revista sobre criação de filhos e, por isso mesmo, sempre tinha inspiração para pelo menos um post semanal a respeito. Hoje tenho tido menos ideias de textos e inclusive menos vontade de escrever sobre isso.)

O momento político do país anda tão árduo que parece ingênuo tratar de primeira infância e dos dilemas que envolvem os pequenos. Mas, querendo ou não, com presidente democrático ou ditador, as crianças continuam aí, nos envolvendo todos os dias, não é mesmo?

Com isso em mente, achei que valia escrever sobre um assunto que tira o sono de muitas mães e pais, que é o desfralde. Eu era uma que achava que seria um pesadelo, dificílimo. Fiquei muito surpresa ao constatar que o processo todo foi muito simples, quase que natural mesmo. (O mesmo tinha acontecido com o desmame, diga-se de passagem.) Eu estava esperando o desfralde noturno também se consolidar para poder escrever a respeito. Como isso já aconteceu, sinto-me à vontade para compartilhar estas 13 dicas, torcendo para que sejam úteis para quem estiver passando por essa fase agora (ou temendo passar):

#1 SINAIS – Muito antes do desfralde, a gente já vinha estimulando há tempos que o pequeno avisasse sobre o cocô. Esse primeiro passo, de conseguir avisar que estava querendo fazer cocô, foi um dos sinais de que o momento do desfralde estava próximo. Outro sinal foi o incômodo com a fralda cheia de xixi, por exemplo.

#2 PARTICIPAÇÃO – Há bastante tempo já, toda vez que ele fazia cocô na fralda, a gente jogava o dito-cujo no vaso e deixava ele acompanhar o processo – assistir, ver a gente dando descarga, dar tchau etc.

#3 FERRAMENTA ÚTIL – Outro passo meramente educativo foi a compra do peniquinho, que fizemos acho que em janeiro ou fevereiro. Levei ele junto, deixei que escolhesse o modelo, expliquei pra que servia. No começo, não queria nem assentar. Aos poucos, foi ficando mais curioso.

#4 MOMENTO ESTRATÉGICO – Aproveitamos um momento em que ele estava ficando mais tempo em casa conosco (a greve na escola dele, em maio), para deixá-lo sem fralda. (Momento de férias também é útil.) Pra facilitar, deixávamos sem cueca também. Ensinamos ele a abaixar as próprias calças na hora de fazer xixi. Ele estava com 2 anos e 5 meses.

#5 SEM PRESSÃO – O processo todo de desfralde levou umas 3 semanas. Fizemos tudo com calma, sem pressão. Tirando a fralda durante o dia, colocando ao sair de casa, por exemplo. No dia em que ele pedia pra usar fralda, colocávamos, sem problemas. Discordo de gente que diz que desfralde tem que levar dois dias, acho que não tem a menor necessidade de fazer as coisas na correria.

#6 ESCAPULIDAS – Ao longo dessas três semanas, ele fez xixi na calça pouquíssimas vezes. Quando aconteceu, tratamos com tranquilidade, sem estresse, falando que pode acontecer e tal. Cocô ele nunca fez na calça. Foi o que aprendeu primeiro a avisar e fazer na hora certa, acho que muito por causa dos itens 1 e 2. Nos outros momentos todos, quando avisava sobre a vontade de fazer xixi ou ia sozinho até o banheiro, sempre elogiamos bastante, pra ele valorizar o gesto.

#7 O QUE FOR MAIS CONFORTÁVEL – Estimulamos a fazer só xixi no penico e cocô no vaso, usando redutor. Em pouco tempo, não precisava nem do redutor, ele mesmo aprendeu a se segurar e equilibrar. No começo, ele só fazia xixi sentado – e tudo bem, o importante é o que deixa a criança mais confortável. Aos poucos, foi preferindo fazer em pé, até porque ele cresceu um pouco e não teve mais que ficar na ponta do pé pra alcançar o vaso. Nesse momento, ele aposentou o peniquinho — e até já o doamos a outra criança, agradecidos pelos serviços prestados.

#8 TRUQUE DO XIXI – Às vezes ele ficava “travado” pra fazer xixi na privada, isso acontece até hoje. Truque simples: ligo a torneira e deixo fazer o barulhinho de água escorrendo, e ele logo solta o xixi.

#9 INDEPENDÊNCIA CONQUISTADA – Quando assustei, ele já tava indo sozinho ao banheiro, fazendo xixi no penico, jogando ele mesmo o xixi no vaso e subindo as calças de novo! Nem avisava mais!

#10 LEMBRETES – Uma dica que adoto até hoje é perguntar se quer ir ao banheiro de tempos em tempos e em momentos estratégicos, como antes de sair de casa ou antes de dormir. Porque eles às vezes se esquecem no meio de brincadeiras muito longas.

#11 DESFRALDE NOTURNO VEM DEPOIS – No fim de maio, já estava desfraldado durante o dia. Mas mantive a colocação de fralda logo antes de dormir.

#12 NÃO TEM PROBLEMA VOLTAR ATRÁS –  Em agosto, percebi que as fraldas estavam amanhecendo sempre secas e resolvi fazer o desfralde noturno. Durou bem por umas semanas, mas teve uma semana em que ele fez xixi na cama todas as noites e resolvi voltar com a fralda noturna, com medo de a pressão fazer ele regredir no desfralde diurno (o que não aconteceu). É importante entender o tempo da criança, e respeitá-lo. O mesmo recuo poderia ter acontecido no desfralde diurno, se fosse o caso.

#13 DESFRALDE NOTURNO – Em outubro tentei de novo (mais uma vez porque as fraldas estavam amanhecendo sempre secas) e, desta vez, deu certo. O desfralde noturno foi aos 2 anos e 10 meses. Nunca fez xixi à noite desde então. Às vezes até acontece de acordar no meio da noite pra pedir pra ir fazer xixi. Sempre peço pra ele fazer xixi antes de dormir e, no começo, gostava de reforçar que ele podia me chamar no meio da noite se ficasse apertado. Hoje em dia prefiro não bater mais nessa tecla, porque ficou desnecessária.

 

Agora que meus dois maiores temores da primeira infância – o desmame e o desfralde – já passaram, e sem grande estresse, estou pelejando é pra passar pelo desapego da chupeta… Esta eu ainda não consegui superar, e o processo tem sido bastante árduo, viu! Se der certo, volto aqui ao blog para contar como foi 😉

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