- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
Em O Convite temos dois casais, vizinhos em um mesmo prédio, que vão jantar juntos e a noite acaba degringolando de várias formas possíveis.
O filme começa como um drama, passa pela comédia mais escancarada, volta ao drama e acaba refletindo sobre as histórias de amor e desamor que podem morar em uma rotina de um casamento.
Coincidentemente, eu estava lendo A Uruguaia, do escritor argentino Pedro Mairal, na mesma época que vi o filme. Outra tragicomédia, outra comédia dramática, aqui na voz narrativa de Lucas, sempre se dirigindo à esposa, Catalina.
Ele é um escritor que não está escrevendo, sem dinheiro, com mil dívidas e num casamento em crise. A história quase toda se passa em um único dia, uma aventura em Montevidéu, numa terça-feira, que dá mil reviravoltas, não necessariamente imprevisíveis, mas também traz algumas reflexões sobre amor, desamor e a busca inquietante da felicidade (a dois, a três, ou sozinho).
Além do casamento, das várias formas de traição (e de quando é a hora para o divórcio), o tema “filhos” também permeia tanto o filme quanto o livro. Embora tudo isso seja assunto sério, as duas narrativas preferem explorar esses temas por meio do humor, ou às vezes da ironia, em roteiros/textos cheios de sexo e palavrões (como parece ser comum na literatura Argentina, pelo menos no pouco que conheci dela).
A questão sexual é muito presente nas duas obras, mas mais no campo das ideias, ou das fantasias, do que como algo concreto. Aparece mais como uma possibilidade de fuga, uma escapatória para algo que está desmoronando. E também estão presentes as viagens exacerbadas pelo álcool e pela maconha, que contribuem para deixar as duas histórias cada vez mais fora de controle.
Gostei menos do filme, porque as discussões, as eternas DRs, sequências de brigas infindáveis, ocuparam muito tempo. E se tem uma coisa que detesto é assistir a duas pessoas brigando na minha frente, ainda mais casais. (Mas também fui prejudicada pela péssima experiência no cinema, como contei no meu último post).
Já o livro opta pela narrativa mais debochada do escritor, que não se importa em se expor ao ridículo, em se autodepreciar (ele é um personagem bem cretino mesmo, diga-se de passagem), e, por isso, acaba nos fazendo “rir da desgraça alheia” – no caso, a desgraça dele mesmo. É mais divertido.
Seja como for, as duas obras se complementaram muito bem, como se tivessem sido feitas para serem vistas e lidas ao mesmo tempo, como se fossem referências bibliográficas de um mesmo estudo.
Estudemos, pois, a felicidade possível numa vida conjugal, e as principais fórmulas que os casais adotam para ir destruindo seu relacionamento.
***
Assista ao trailer de O Convite (que, maravilhosamente, não traz spoilers):
Vale ver nos cinemas: O Convite
2026 | 1h47 de duração | Classificação: 16 anos | nota 7
A Uruguaia
Pedro Mairal
Ed. Todavia
123 páginas
R$ 59 na Amazon (preço consultado na data do post, sujeito a alteração)
Você também vai se interessar:
- Livros sobre amor, casamento, relacionamentos – e rupturas
- Os melhores filmes de AMOR que vi nos últimos anos
- ‘História de um casamento’: o amor pela lente do divórcio
- Prefere estar na prisão a continuar casado? Leia este texto!
- Um casal como muitos que conhecemos
- Melô do relacionamento falido
- Em briga de marido e mulher, persiana de vizinho é colher
- ‘Noturnos’: histórias de relacionamentos conturbados
- #PérolasdoLuiz – Casamento
Quer reproduzir este ou outro conteúdo do meu blog em seu site? Tudo bem!, desde que cite a fonte (texto de Cristina Moreno de Castro, publicado no blog kikacastro.com.br) e coloque um link para o post original, combinado? Se quiser reproduzir o texto em algum livro didático ou outra publicação impressa, por favor, entre em contato para combinar.
Quer receber os novos posts por email? É gratuito! Veja como é simples ASSINAR o blog! Saiba também como ANUNCIAR no blog e como CONTRIBUIR conosco! E, sempre que quiser, ENTRE EM CONTATO 😉
Descubra mais sobre blog da kikacastro
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




