
- As tarifas estão mesmo exorbitantes, ainda mais para um transporte público tão ineficiente e ruim.
- 65% da população nas capitais dependem de transporte público, segundo estudo do Ipea de 2011.
- Mais da metade das famílias paulistas viam como problema o alto preço da passagem de ônibus em São Paulo, segundo estudo de 2004 (página 11). Na época, a tarifa custava R$ 1,70.
- A tarifa de 2013, de R$ 3,20, é bem maior que a inflação acumulada de 332%, desde 1994, contrariando os argumentos do prefeito paulistano Fernando Haddad.
- Protesto é uma forma válida de reivindicar mudanças que afetam a uma maioria, como é o caso. Estamos acostumados a ver as manifestações na Turquia, França e Grécia como atos de coragem e luta pelos direitos dos cidadãos daqueles países, mas pouco fazemos pelos nossos direitos corriqueiros no Brasil, além das futricas via redes sociais, com suas ineficazes hashtags, ou marchas da maconha e das vadias. Resultado: é mais comum ver um jornal de fora, como o “El País”, dar destaque às reivindicações dos brasileiros do que ver um jornal local refletir sobre o mesmo, em vez de destacar apenas os vandalismos cometidos.
- Há como protestar e se manifestar sem vandalizar a cidade, que é de todos. Acredito que muitos dos que promovem esses atos de banditismo, como destruir pontos de ônibus e agências bancárias públicas, sejam movidos por organizações político-partidárias, com interesse em afetar a imagem ora dos tucanos (o governador Geraldo Alckmin, responsável pela PM paulista), ora dos petistas (o prefeito Fernando Haddad, responsável pelas tarifas de ônibus). Também acho que os vândalos sejam minoria, pelos relatos que li.
- Nem o vandalismo justifica ações agressivas coletivas como as que a PM vem tomando. Por exemplo, ao agredir e prender um jornalista no exercício da profissão, deter outros dois repórteres que se identificaram, prender outro, junto a 40, apenas porque “portava vinagre”, espancar um gaiato que estava apenas observando os protestos etc. [Atualização na quinta (13/6) à noite: também atingiram o olho de uma repórter em plena cobertura, além de vários outros repórteres. A foto dela me chocou. Outro repórter-fotográfico provavelmente vai ficar cego, pelo mesmo motivo. Espancaram um casal que apenas tomava chopp num bar da Paulista. Bateram num engravatado que apenas deixava o serviço e ia pegar o metrô para casa. Jogaram bomba de gás num carro onde havia um senhor de 74 anos, que não queria protestar. Elio Gaspari diz a hora exata em que os confrontos começaram na quinta e afirma: 20 PMs chegaram ali exclusivamente para atacar. Não há mais dúvida de que eles começaram o conflito nesta quinta, sob ordens de…]
- Por outro lado, a truculência da PM tampouco justifica o linchamento que dez pessoas quase promoveram contra um policial sozinho, que fazia a vigília de um prédio público e apenas foi impedir uma pichação. A covardia é registrada em vídeo e texto.
- Dito tudo isso, recomendo a leitura do texto, muito mais completo, de Leonardo Sakamoto. Um trecho: “Não estou defendendo que interditar vias públicas de grande circulação é a forma correta de protestar até porque “forma correta de protestar” é por si só uma contradição. Para algumas pessoas e grupos sociais é a saída encontrada para sair da invisibilidade. Ao contrário do que muitos pensam, ninguém faz greve porque quer ver multidões plantadas no aeroporto, chegando atrasadas no emprego ou perdendo o ano letivo, da mesma forma que ninguém protesta pelo prazer de ver outros se descabelarem no carro. ”Ah, mas o congestionamento afetou a vida de mais gente, por isso é a notícia mais importante.” O conceito de relevância jornalística se perde em justificativas como essa, desumanizando a situação, quando o motivo do protesto nem é devidamente citado.” [Depois ele fez uma continuação ao post, AQUI].
- Por fim, protestar não resolve? Se as “primaveras” de outros países não nos servem de exemplo, fiquemos com o outono brasileiro e a seguinte luz (temporária) no fim do túnel: “MP vai propôr suspensão de tarifa em SP para evitar novos protestos“. E existem exemplos concretos, pelo mundo afora e até no Brasil, de cidades com transporte público gratuito, como reivindica o Movimento Passe Livre. Quem sabe um dia não teremos isso em mais cidades brasileiras?
Este é meu pitaco. Deixem o de vocês nos comentários ;)





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