Federação dos Petroleiros denuncia que Petrobras ‘virou máquina de pagar dividendos’ e terá novo Conselho formado por bolsonaristas e privatistas
Texto escrito por José de Souza Castro:
A Petrobras vendeu ativos na bacia das almas e petróleo cru com preço elevado e, entre um negócio e outro no último ano do governo Bolsonaro, obteve lucro líquido de R$ 188,3 bilhões, o maior de sua história. Os acionistas comemoram e os partidos de direita aliados do governo Lula arregalam os olhos, cobiçando mais uma vez o domínio da maior estatal brasileira.
A Bolsa de Valores não tem do que reclamar. O lucro da Petrobras é o maior da história entre as empresas listadas na bolsa brasileira, à frente da Vale, recordista em 2021. Mas teme que o governo mude as regras de distribuição de dividendos, para que ela invista em coisas que realmente interessam ao país.
Como alguns leitores do blog sabem, pelos vários artigos que escrevi sobre a Petrobras, a partir do golpe contra Dilma Rousseff em 2016, meu interesse pela empresa – na qual trabalhei por seis anos – vem de longe.
Saí no começo da década de 1970 para ser jornalista e não mais operador de subestação elétrica da Refinaria Gabriel Passos, em Betim, e na nova profissão não tinha como ter meu interesse desligado da maior empresa brasileira.
Não quero ser repetitivo e por isso recorro à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que acaba de publicar excelente artigo em seu site, que descreve bem o momento em que vivemos, quando se vê claramente que partidos ligados ao grande capital desejam atrair para Lula um novo Petrolão, pior do que aquele que atazanou a vida dele quando foi presidente da República pela primeira vez.
“Petrobrás se transformou em máquina de pagar dividendos. Isso tem que acabar”, diz a FUP. Somente em 2022 já foram adiantados aos acionistas R$ 180 bilhões referentes à repartição do lucro dos três primeiros trimestres.
No mesmo ano foram investidos menos de 10 bilhões de dólares. Ou seja, um quarto dos valores pagos em dividendos. O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, destaca:
“A Petrobrás nos últimos anos se transformou em uma máquina de pagar dividendos, transferindo para os acionistas todo o lucro obtido com as privatizações e os preços abusivos dos combustíveis. Precisamos urgentemente de mudanças na política de preços e um reposicionamento da estatal, para que volte a investir no Brasil, com políticas de longo prazo”.
“A política de preço de paridade de importação (PPI) foi organizada de forma a gerar e distribuir dividendos”, lembra Bacelar. Foi adotada por Temer em 2016 e mantida por Bolsonaro.
Lula promete mudar isso. Não vai ser fácil com os novos aliados que arranjou para poder governar.
Um desses aliados é o PSD, que conseguiu emplacar como ministro de Minas e Energia o mineiro Alexandre Silveira. A Petrobras é subordinada a ele.
Nota à imprensa, divulgada há três dias, criticou:
“A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos filiados veem com preocupação o anúncio da indicação do novo Conselho de Administração (CA) da Petrobrás, composto por nomes ligados, em sua maioria, ao ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG).
De um total de sete membros da União no CA (incluindo o presidente da empresa Jean Paul Prates que é também membro do conselho escolhido pelo presidente Lula), quatro são indicação de Silveira: Pietro Adamo Sampaio Mendes, presidente do CA: Carlos Eduardo Turchetto Santos; Vítor Eduardo de Almeida Saback; e Eugênio Tiago Chagas Cordeiro e Teixeira”.
Segundo Deyvid Bacelar, são “nomes ligados ao bolsonarismo, ao mercado financeiro e a favor de privatizações“.
Cada um deles com uma casca de banana para Lula.

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