Eu estava voltando para casa, depois de deixar o Luiz na escola, quando reparei neste inseto gigante, imenso mesmo, bem na minha frente. Verde metálico, com manchas parecendo olhos, mexia as anteninhas e parecia um tanto assustado no meio da calçada. Vulnerável até.

Fiz fotos, me aproximando ao máximo, depois o coloquei numa árvore próxima, e continuei minha caminhada pensando em como a natureza é extraordinária.

Ao chegar em casa, fui pesquisar mais sobre o bichinho e descobri algumas coisas surpreendentes sobre ele. Seu nome científico é Euchroma gigantea e seus nomes populares são mãe-de-sol, olho-de-sol, baratão-verde-metálico, cai-cai, vaca-loira e meus favoritos: besouro metálico e besouro-joia gigante.

Euchroma gigantea, popularmente conhecido como besouro-metálico ou besouro-joia gigante. Foto: CMC / blog da kikacastro
Euchroma gigantea, popularmente conhecido como besouro-metálico ou besouro-joia gigante. Foto: CMC / blog da kikacastro

Parece mesmo uma joia gigante, com seus cerca de 10 centímetros de comprimento, mas está longe de ser inofensivo como pensei lá na rua.

Descobri que ele é nativo da Amazônia, onde possui predadores naturais, mas acabou se alastrando por todo o Brasil e se tornando uma praga urbana, capaz de derrubar árvores de vários metros de altura.

Em Belo Horizonte, por exemplo, há relatos de várias árvores infestadas com esse besouro desde 2017. Uma reportagem da rádio Inconfidência naquele ano explicava:

“Segundo técnicos da Secretaria de Meio Ambiente da capital mineira, o besouro da espécie Euchroma gigantea, mais conhecido como gigante besouro metálico, deposita suas larvas nas árvores, que acabam adoecendo e morrem. Elas ficam ocas por dentro com perigo de tombar a qualquer momento.”

No ano seguinte, em 2018, a própria Prefeitura de Belo Horizonte divulgou que havia feito mais de 3 mil vistorias em árvores das espécies que são atacadas pelo inseto e suprimido mais de 500 árvores. E estava estudando o ciclo do besouro em busca de uma solução para contê-lo.

Em 2024, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária publicou um estudo em que testava uma bactéria como uma alternativa para o controle desse inseto, justamente em Belo Horizonte. Dizia o texto da Embrapa:

“O ataque do besouro metálico, Euchroma gigantea (Linnaeus,1758) (Coleoptera: Buprestidae), em árvores urbanas aumentou significativamente nos últimos anos no Brasil. A queda de árvores sob ataque, em vias públicas, coloca a população em risco.”

Segundo o Portal de Zoologia de Pernambuco, este besouro é o maior buprestídeo das Américas e seu nome em latim pode ser traduzido como “gigante colorido”. São 1.525 espécies no Brasil, “sendo 87 endêmicas e inclusas em 79 gêneros”. O site destaca que a culpa pela queda das árvores não é exatamente do besourão, mas do desequilíbrio ambiental – provocado pelos humanos, vale sempre lembrar.

Aliás, a visão desta joia da natureza bem no meio do meu caminho (no meio do caminho tinha um besouro, tinha um besouro no meio do caminho) me trouxe vários lembretes:

  1. De como a natureza é cheia de preciosidades que a gente nem sonha que existem, mesmo quando já se tornaram uma praga (por culpa nossa, não da natureza).
  2. De como os humanos parecem ter predisposição para estragar o ambiente natural.
  3. De como não sabemos de nada mesmo e sempre temos o que aprender.
  4. De como nem tudo o que reluz é ouro, ou quem vê cara não vê coração, ou ainda: espécimes belíssimos podem esconder grandes perigos.
  5. Por fim, de como eu pensei estar fazendo uma boa ação ao colocar o besouro na árvore e talvez estivesse causando destruição, caso aquela árvore fosse alvo praga. Ou seja, pra ficar nos ditados populares: de boa intenção o inferno está cheio.

Espero me redimir com este post, e que este texto contribua com os olhares para a natureza, com a busca pelo conhecimento e até, quem sabe, com a desconfiança e o senso crítico tão necessários nesta vida.

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