Dando continuidade ao meu post de ontem, e dentro do clima da 4ª Semana Brasileira de Educação Midiática, resolvi abordar hoje um dos temas que me é mais caro nessa disciplina: o combate às fake news.

A desinformação já trouxe enormes danos à nossa sociedade e está só se agravando, já que ficou mais fácil, com a IA, fazer com que mentiras pareçam verdade. A melhor (e talvez única) forma de combater esse problema é educando a sociedade.

Eu já tratei disso aqui no blog diversas vezes. Por exemplo, nestes posts:

Hoje compartilho aqui um dos vários guias de combate à desinformação, talvez o mais recente deles, que foi lançado pela Agência Pública em setembro deste ano. Trata-se de um ebook pequeno, com apenas 38 páginas, que pode ser lido em uma sentada.

O nome completo do ebook é “Como diferenciar notícias falsas de verdadeiras na era da Inteligência Artificial: Guia prático de combate à desinformação”. Ele foi escrito pela diretora executiva e cofundadora da Pública, Natalia Viana, e pelo tecnólogo Babak Fakhamzadeh.

Antes de trazer os 6 passos para identificar notícias falsas (que se parecem muito com os que eu já trouxe AQUI e AQUI), o guia explica o que é desinformação, como ela é feita (existe toda uma indústria lucrativa por trás) e os quatro principais tipos de fake news.

Destaco um trechinho do capítulo sobre o mito do “tio do WhatsApp”:

“A desinformação em larga escala é operada por redes profissionais, empresas e equipes altamente especializadas. Esses grupos planejam estratégias sofisticadas e realizam testes contínuos para descobrir quais formatos de mensagens e memes se espalham de maneira mais fácil e rápida entre a população. Mesmo que muitos desses conteúdos pareçam visualmente toscos ou amadores, essa estética simplista é frequentemente proposital. Trata-se de um trabalho planejado por profissionais pagos com objetivos claros: enganar a população, manipular a opinião pública e beneficiar estrategicamente determinados grupos econômicos ou políticos.” (grifo meu)

A “regra de ouro” no combate à desinformação é muito simples:

na dúvida, não compartilhe.

Ou seja, você pode se dar ao trabalho de checar se uma informação que recebeu pelo zap ou viu no YouTube é falsa ou não, de pesquisar na internet, ver se sites de checagem de fatos falaram daquilo etc. Mas, se estiver sem tempo, paciência ou ânimo de fazer tudo isso, apenas tenha o cuidado de não espalhar ou passar pra frente uma coisa que pode ser potencialmente MENTIROSA.

Isso é agir com consciência. Isso é ter respeito ao próximo (inclusive com aquele com o qual você não concorda). Isso é ter um pingo de senso crítico.

Destaco a seguir mais um trechinho bacana do ebook a respeito:

“Muitas vezes, compartilhamos um conteúdo apenas porque ele confirma aquilo em que já acreditamos, deixando de lado a nossa honestidade intelectual. Contudo, espalhar mentiras não é um ato inofensivo. A desinformação destrói reputações, provoca golpes financeiros devastadores, sabota processos democráticos e, em casos extremos, pode levar a linchamentos físicos e tragédias humanas irreparáveis. Portanto, adote o seguinte compromisso ético: na dúvida, rompa a corrente e não repasse. A responsabilidade de manter a internet um lugar seguro e saudável é de todos nós.” (grifo meu).

Os capítulos finais explicam o básico de como funciona o método jornalístico de apuração de uma notícia e como a chamada inteligência artificial vem como uma bomba para piorar uma situação que já estava complicada.

Ficou com vontade de ler o guia completo? Acesse o “Guia prático de combate à desinformação” da Agência Pública (e passe adiante, porque isto sim é um conteúdo legal para espalhar no zapzap ;)).

Guia prático de combate à desinformação feito pela Agência Pública.

Leia também:


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