Laurinha cresceu. A ponto de já estar cantando em um palco, cheio de crianças, para um público lotado de um teatro. Atividades rotineiras nas escolinhas e oficinas de férias por aí.
Dentre a multidão do público, uma parcela grande de outras tantas crianças, que foram assistir à performance de irmãozinhos, priminhos e afins.
O clima geral era, portanto, de festa. E festa infantil. Crianças assistindo a crianças, uma algazarra boa, um ou outro bebê soltando gritinhos fora de hora, essas coisas. E, claro, uma porção de pais. Pais e tios e avós, munidos de câmeras para registrar o belo momento de seus filhos, sobrinhos e netos naquele palco.
Fotografias e filmes que serão históricos para todas aquelas famílias. Daqui a 20 anos, quem sabe, Laurinha poderá ser uma cantora profissional. Ou uma pianista. Ou uma juíza, engenheira ou lutadora de judô — ninguém sabe ao certo. Seja como for, adorarei sentar com ela numa sala, família toda reunida, e ver o vídeo da primeira vez em que ela se apresentou num palco, numa atividade artística.
O que me faz lembrar do post de sexta-feira. Lembram do post de sexta-feira? Em que eu falava que as pessoas estão muito ranzinzas, rabugentas, mal-humoradas e impacientes? Que se levam a sério demais? Que falta bom humor no mundo? Pois é.
Como pude me lembrar desse post em meio a um clima festivo como o que acabei de descrever? Simples. Imaginem a cena: um fotógrafo profissional, contratado pela organização do evento, estava com sua câmera filmadora em um tripé, prontinha para filmar o espetáculo, faltando ainda uns dez minutos para começar. Havia nada menos que umas 30 cadeiras vazias atrás dele, mas, apesar disso, a mulher que estava atrás preferiu cutucá-lo e perguntar, rispidamente: “Será que você pode abaixar esta câmera? Está na minha frente!”
Ele nem se deu ao trabalho de responder, mas eu só pensei “Oi?”. O que seria mais razoável: o fotógrafo perder a visão do palco ou a mulher escolher outra dentre as 29 cadeiras que estavam vazias para se sentar?
Já no meio do espetáculo, uma das tias babonas (no caso, minha irmã) tirou o celular para filmar um trechinho da aparição de Laurinha. Lembram da nossa vontade de rever aquele vídeo daqui a 20 anos, reunidos no sofá da sala? Pois é. Não deu. Um cara mal-humorado que estava atrás dela bateu com força em suas costas, no meio da filmagem, e intimou: “ASSIM NÃO CONSIGO VER!” Para constar, vale dizer que ele também tinha cadeiras vazias ao lado, se se sentisse tão incapacitado para virar um pouquinho o rosto durante os dois minutos de filmagem.
O que sei é que um evento festivo, uma festa infantil, tornou-se uma festa de maus exemplos de pais para filhos. Se até nesse lugar, numa tarde de domingo, cercados por crianças risonhas e fofas, essas pessoas conseguiram ser estúpidas, me pergunto como são num engarrafamento, ou na fila do banco.
Mais humor, por favor. E um pouco de gentileza também não faria mal a ninguém.

Leia também:






Deixe aqui seu comentário! ;)