A mulher estava no ponto de ônibus.
Distraída, contava os táxis que passavam pela rua, pensando em como seria bom ter um dinheirinho extra na carteira para agilizar a volta pra casa.
Eis que alguém chega por trás e, tampando os olhos da moça com as duas mãos, pergunta, como nos tempos de escola:
— Adivinha quem é?
Ela gosta da brincadeira, faz lembrar a infância. Com aquela voz meio rouca, masculina… seria o Pedrão?
— Não, não, passou longe!
Hummm… Humberto?
— Nope.
— Quem será, quem será… Me dá uma dica!
— Vai tentando!
Será que é algum pretendente, alguém que só conheço de vista e que me olha faz tempo, tentando me conquistar? Aiai, eu sempre lerda pra perceber esses sinais — pensa a moça, esperançosa. Chuta um nome do cursinho.
— Não, moça, mais uma chance!
Já com o coração na mão por não ter conseguido identificar alguém tão simpático, e prevendo a vergonha de descobrir o erro, ela fez um último chute, coração acelerado: Juquinha?
O homem, então, retira as mãos e, todo alegre e pimpão, salta na frente da mulher, gritando:
— Não! É o mendigo! :D
(História fictícia, baseada em fatos reais. Foto apenas ilustrativa. O morador de rua que abordou a moça merece um prêmio, sou fã dele. Se alguém souber quem é, por favor, me apresente a ele :) )






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