Mantiqueirando

Pra mostrar que gostei MESMO da Mantiqueira (e pra dar vontade a vocês de conhecerem também), segue o videozinho que fiz de lá:

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E aos que tiverem mais ânimo, tempo, disposição e interesse, segue a descrição que fiz da viagem para minha família e amigos, com dicas de coisas e lugares bons e baratos para ficar e conhecer:

Na sexta saímos da porta da Folha às 21h30 e chegamos na porta da pousada Nippon exatamente duas horas depois, às 23h30. E eu que pensava que pequenos paraísos verdes só existissem ao redor de Beagá! Mudei meu conceito totalmente em relação à Terra Cinza! Já sinto que é bem mais leve morar por aqui, agora que sei para onde posso escapar quando precisar de ar fresco.

O caminho foi tranquilo, sem trânsito. Logo antes de chegar à cidadezinha de 6 mil habitantes onde ficamos hospedados, Santo Antônio do Pinhal (SP), já percebemos o que nos esperava: a estrada era toda cercada de mata fechada, de um lado e do outro, com aquele frescor de quem está se embrenhando na roça. Já lá dentro, a sensação era de estarmos em uma cidade fantasma, porque não havia uma alma viva nas ruas. Sossego e silêncio totais àquele horário. Mas postes baixinhos de luz branca, e muitas casinhas coloridas davam um clima aconchegante ao lugar. Como a cidade só tem duas ruas principais, não foi difícil encontrar a pousada Nippon, do restaurante do japonês Wilson, que nos custou R$ 37,50 a diária (para comparar, em Campos do Jordão, a 15 minutos dali, sai a no mínimo R$ 150, na mais “baratinha”).

Nem bem chegamos e já fui tomar banho para a gente ir a Campos conhecer a famosa “suíça paulista”. Lá é super lindo, com TODAS as casas com aquela arquitetura de fotografias da Holanda, Suíça e Alemanha que sempre temos em mente, com aquele jeitão de Gramado e Canela. Fazia 6 graus. Na rua principal, um corredor de árvores de tronco grosso e galhos retorcidos e sem folhas, que depois descobrimos ser a árvore da fortuna, típica da região, com uma folha que lembra aquela da bandeira do Canadá. Já fomos logo para o bairro Capivari, que sabíamos ser o mais “badalado” do lugar, com mil restaurantes e bares colados um no outro. E lá estavam eles, apinhados de gente. Escolhemos o bar da Baden Baden, cerveja local que é muito gostosa. Mas aí foi meio decepcionante: apesar de o chopp ser muito bom, como eu já sabia desde Beagá, a porção de várias linguiças veio fria e com gosto de Sadia. A do Canapé é bem melhor e custa um terço dela! Mas tá no inferno, abraça o capeta, né? Não ficamos muito lá naquela noite. 

No dia seguinte, depois do café bem justo da pousadinha, voltamos a Campos para conhecer melhor a cidade. E aí percebemos como ela é imensa! Tem 48 mil habitantes e 95% dos imóveis são casas, então é uma cidade super espalhada, com bairros distantíssimos, e mesmo na “periferia” as casas têm aquela mesma arquitetura de tijolinhos, telhadinho, aquela coisa dos cartões postais. Isso dá um charme muito grande pra Campos. Ficamos um tempão andando pelos bairros até decidirmos, seguindo as placas de improviso, ir ao Pico de Itapeva, que na verdade fica em Pindamonhangaba, mas o acesso é por Campos. Subimos, subimos, subimos e, de repente, quando já estávamos quase no alto do pico, a 2.000 do mar, vimos uma linda lagoa natural rodeada de pinheirinhos e outras árvores de frio! A vista era linda. E eles faziam tirolesa lá, mas eu acabei desistindo de descer, apesar da curiosidade. A vista do pico era outra beleza à parte. Um mar de montanhas sensacional!

De lá, passamos, também de improviso, num lugar que tinha arvorismo e cachoeira artificial, mas que valia mais a pena pela feira de artesanato. Saí de lá com um cachecol, uma boina, vários ímãs de geladeira, um postal, um termômetro, todos baratinhos. Sou um perigo nesses lugares, rs!

Depois pensamos em ir a Monteiro Lobato, cidade onde ele tinha uma chácara e que tem uma cachoeira que inspirou Reinações de Narizinho. Mas acabamos indo para São Bento do Sapucaí, cidadezinha de 10 mil habitantes também em São Paulo, mas cuja estrada passa por Sapucaí Mirim, em Minas.

E as estradas são um espetáculo à parte! Mil curvas, indicando que estamos circundando uma área de preservação ambiental, araucárias, mata fechada, eucaliptais, montanhas de vista aberta, boizinhos pastando, céu azulão, jegues, pica-paus nas árvores, vários ipês amarelos floridíssimos etc.

Chegando em São Bento, almoçamos no Taipa, restaurante baratinho e com mil variedades de comida mineira, decorado com objetos “antigos”, como máquinas de escrever, máquinas fotográficas com filme, discos, toca-discos, retratos de artistas antigos, cadeiras de balanço etc. Ótima comida.

Daí fomos conhecer a famosa Pedra do Baú, atração local, visível de qualquer ponto que se olhe da estrada. Chegamos mais ou menos perto dela, mas acabamos indo para a Cachoeira dos Amores, no meio do caminho. Ela é emoldurada por um monte de pedras em formato de escadaria e é a primeira cachoeira que já vi na vida que não tem a água gelada. Estava o maior calor e fiquei com o maior pesar de não ter levado biquíni nesse dia. Mas pelo menos foi bom de ver.

Voltamos pra Santo Antônio e fomos conhecer o parque Jardim dos Pinhais, mas já estava fechando. Então fomos ao Pico Agudo, que descobrimos na hora, olhando as placas, e subimos a estrada de terra, sem fim, com o sol se pondo às nossas costas. Lá no alto, a vista é deslumbrante, a mais bonita que já vi no alto de um morro assim. 360 graus: de um lado, o sol de pondo num mar de montanhas da Mantiqueira, de outro, a pedra do Baú, atrás, as luzinhas de alguma cidade grande do Vale do Ribeira, talvez Taubaté. Tirei 900 fotos, e fiquei saltitando e gritando de alegria, apesar de o vento estar quase me carregando!

Aí já era começo de noite, mas mesmo assim passamos na famosa sorveteria Eisland, indicada pelo guia Quatro Rodas por causa dos “sorvetes produzidos artesanalmente com leite de vacas Jersey”. Tomei uma bola de café e outra de flocos e era bom mesmo, bem cremosão. À noite achamos um restaurante local que servia rodízio de fondue de queijo, carnes (de boi, frango e linguiça) com molhos, batata e chocolate (com oito tipos de frutas), a um preço justíssimo (R$ 48 por pessoa para tudo isso, com direito a renovar o quanto quiser). Não preciso nem dizer que me esbaldei de tanto comer (e talvez valha dizer que passei mal à noite e fiquei enjoada em boa parte do dia seguinte, porque meu olho é maior que minha barriga. Toda viagem tem uma mala dessas pra atrapalhar, né). 

Depois de taaaaaanta coisa pra um só dia, quando chegamos na pousada (e eu fui caminhando pra “fazer a digestão”) ainda não era nem 23h. A melhor coisa de uma viagem dessas, de sair da rotina, é que dois dias parecem cinco! A gente cansa o corpo, mas descansa a cabeça.
No domingo de manhã já fomos direto seguir o plano de conhecer cinco cachoeiras no mesmo dia. Primeira parada: Gonçalves, Minas Gerais. Ali sim é um ovinho lindo, 4 mil habitantes. Fomos pra um lugar onde se paga R$ 3 para ver três cachoeiras seguidas. A das Sete Quedas, linda, a do Retiro, lindona, e a do Cruzeiro, lindíssima, cercada por uma mata de araucárias e pastos de bois. Cheguei a cochilar na pedra desta última, ao som da água caindo. Até poderíamos ter conhecido a cachoeira do Simão e a do Toldi, em São Bento, se o fato de eu estar enjoada por causa da comilança da véspera não tivesse me feito parar mil vezes antes de seguir na trilha (que era pequena). Então de lá já fomos almoçar, achar um ímã de geladeira e voltar pra Santo Antônio, com uma chuvinha na estrada, a tempo apenas de comprar uns chocolates locais “Das Senhoritas” de lembrança.
E assim terminou minha aventura deste fim de semana. Eu voltei no ônibus às 19h30, dormindo um sono pesadíssimo, cheguei em casa às 23h (ônibus é bem mais lerdo), capotei, e hoje recomecei a labuta corrida.
Contando os dias pra próxima viagem…!
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