‘A Cidade do Sol’: uma história poderosa, que nos prende (apesar de todas as interrupções)

Até para ver um filme inteiro sem interrupção é difícil depois que a gente vira mãe e o filhote ainda é pequeno, sempre requisitando nossa atenção. Para ler de forma ininterrupta, então, é quase missão impossível. Mergulhar num livro do início ao fim, parando apenas para fazer o básico, tipo comer e ir ao banheiro, é uma coisa que eu não fazia desde a gravidez.

Até me chegar às mãos este best-seller “A Cidade do Sol”, do autor de outro best-seller mundial, “O caçador de pipas”, Khaled Hosseini.

Assim como no livro anterior, que eu tinha devorado em 2006, mesmo ano em que li “O Encontro Marcado” (Fernando Sabino), “Nada de novo no front” (Erich Maria Remarque) e “Ratos e Homens” (John Steinbeck) – ou seja, estava com o padrão elevado, e ainda assim achei que o texto de Hosseini tinha sido uma das melhores leituras do ano –, desta vez também fui engolfada para dentro daqueles cenários de guerra do Afeganistão, passando pelas décadas de 50 até os anos 2000, já com George W. Bush, e tudo o que eu tinha acompanhado atentamente no noticiário da época.

[Primeira interrupção do Luiz enquanto escrevo este texto.]

E constatei o que havia constatado naquele outro livro: como Hosseini tem delicadeza e sensibilidade para criar histórias fictícias e ainda assim contar a história real, entrelaçando uma na outra de uma maneira que nos prende do início ao fim. De sábado para domingo, percorri as 365 páginas do romance (ajudada pela priminha mais velha que brincava com o Luiz), apaixonada pela força das protagonistas Mariam e Laila e chocada pela estupidez que os homens conseguiram perpetrar impunemente por tantas décadas.

[Segunda interrupção.]

É ficção, acho que a pretensão não é ser um livro de histórias hiper isento, mas é um texto poderoso de um afegão que mudou-se para os Estados Unidos em 1980, mas ainda hoje é ligado [terceira interrupção] à sua terra natal, inclusive tendo sido nomeado embaixador da Agência das Nações Unidas para Refugiados. Para todos que se interessam por esse tema de interesse universal, que tem desdobramentos políticos até hoje, vale a leitura. Ou pelo menos aos que queiram se emocionar com uma boa história. [Quarta e última interrupção, porque vou desistir de tentar escrever este post.]

A Cidade do Sol
Khaled Hosseini
Tradução de Maria Helena Rouanet
Editora Nova Fronteira, 2007
365 páginas
De R$ 26,70 a R$ 44,90

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