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‘Fé corrompida’: uma baita ideia desperdiçada num filme ruim

Não vale a pena ver: FÉ CORROMPIDA (First Reformed)
Nota 3

Quando acabei de ver “Fé Corrompida”, fiquei com a impressão de que o diretor e roteirista veterano Paul Schrader tinha uma baita ideia na cabeça, mas não soube concretizá-la. Engraçado é que esta não foi a impressão, por exemplo, da Academia, que indicou o filme ao Oscar deste ano justamente por melhor roteiro.

Pois eu achei o roteiro o pior do filme. Para mim, parecia um panfleto ruim do Greenpeace. Não que sua mensagem não seja importante, mas a forma como foi transmitida me pareceu entediante, chata, por vezes vazia. As coisas custam a acontecer no filme e, mesmo quando acontecem, não são bem aproveitadas. Não há qualquer tensão ou emoção, elas simplesmente passam diante de nós como que por acaso.

Isso provavelmente foi intencional, mas, na minha opinião, só serviu para tornar o filme ainda mais cinza. Condiz com os tons, com a iluminação, com a trilha, com tudo o mais. Schrader quis um filme assim. Mas por quê? Qual o objetivo de tornar um filme intencionalmente desagradável?

Tem coisas que não entram na minha cabeça de espectadora.

E qual era a baita ideia que foi estragada pelo péssimo formato? Bom, estamos falando de um reverendo em crise com a própria fé, ao mesmo tempo em que se torna, de maneira um pouco simplista demais (ao meu ver) um obcecado pelas questões ambientais do aquecimento global, da poluição etc. Ele descobre uma relação nada tênue entre a igreja e os responsáveis por graves problemas ambientais no planeta.

É também um homem que está em grande sofrimento, vivendo grande dor. Nesse sentido, o mérito do filme foi a atuação combalida de Ethan Hawke, que foi convincente e talvez merecesse mais uma indicação de melhor ator (lembrando que ele já foi indicado quatro vezes ao Oscar) do que a de melhor roteiro recebida pelo filme.

A sacada final do filme – que não vou revelar para não estragar com spoilers – é muito boa, e é verdadeiramente o único momento de tensão em toda a história. Mas é, de novo, estragada (naufragada) pelo fim escolhido pelo diretor, dentre as três opções que ele tinha. Péssimo, péssimo fim.

Enfim, não é um filme que eu indicaria. A menos que você esteja com muita vontade de ver 1 hora e 53 minutos de Ethan Hawke bastante abatido e com cenho franzido, a poucos centímetros de você. Me desculpem os que se sensibilizaram com a mensagem por trás do mensageiro. E olha que é uma mensagem que, normalmente, muito me sensibiliza.

Assista ao trailer do filme:

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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