Reforma da Previdência: uma das piores notícias para os trabalhadores na história recente do Brasil

Charge do Duke publicada no jornal O Tempo de 11.7.2019

Não me considero apta a comentar a Reforma da Previdência, longe de ser uma especialista no assunto. Mas tenho lido a respeito, lido pessoas realmente aptas a emitirem uma opinião, inclusive porque me preocupo com o meu futuro quando não tiver mais condições de trabalhar, com o futuro do meu filho – mas, principalmente, com o futuro daquelas pessoas mais vulneráveis em nossa sociedade, que não têm condições de juntar poupança ou pagar previdência privada, e que morrem de fome depois de trabalharem até o osso.

Uma de minhas leituras nesta manhãzinha gélida de quinta-feira foi do professor de direito previdenciário da USP Marcus Orione. Ele, sim, uma pessoa muito mais habilitada para repercutir o que vimos ontem na Câmara dos Deputados do que esses comentaristas de Facebook que infestam a internet.

Neste artigo, publicado pela “Folha de S.Paulo”, o professor explica, didaticamente, por que a reforma da Previdência é uma das piores notícias da história recente do Brasil para os trabalhadores. Por que ela representa o fim da Previdência Social.

Destaco dois trechos:

“Mesmo com suas modificações, o projeto continuou a atingir drasticamente a situação de trabalhadores e trabalhadoras diversos, provocando a maior redução de direitos já vista em nossa história.

Dificulta o acesso a benefícios previdenciários e diminui alguns de seus valores. Atinge até mesmo a assistência social —aquela destinada às camadas mais vulneráveis da população—, incluindo critério oneroso, já afastado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), para a concessão de benefício assistencial. Os privilégios de alguns foram mantidos, os pobres punidos.” (…)

“Teremos, enfim, um sistema em que as pessoas pagarão contribuições, mas dificilmente elas acessarão os benefícios. E mais: teremos de fazer outra reforma diminutiva de direitos de quem ainda está recebendo — já que não haverá, para mantê-los, contribuições suficientes, em vista da drástica redução de postos de trabalho formais e da possibilidade, não afastada, de isenções para as empresas de contribuições.

Certamente não teremos problemas com as futuras gerações, uma vez que, destruídas as suas possibilidades de acesso a benefícios, não haverá que se preocupar com eventual situação deficitária. Enfim, encontrou-se a fórmula para o suposto déficit da Previdência: basta dar um remédio que mate o paciente.”

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

“Parabéns” aos envolvidos. Não só aos 379 que votaram a favor dessa aberração ontem, mas todos os milhões de cidadãos que colocaram esses deputados no poder e esses asnos no Executivo.

E não esperem que o Senado, na atual conjuntura, vá salvar esta pátria.

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