Jurista que pediu o afastamento de Dilma diz que a divulgação de vídeo obsceno por Bolsonaro seria causa para impeachment

 

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Lembram-se de Miguel Reale Júnior, aquele jurista que, juntamente com a professora Janaína Paschoal, desencadeou em 2015 o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff? O parecer dele foi manchete nos mais importantes veículos da imprensa no Brasil e no mundo.

Pois ele foi ouvido agora pelo repórter Dimitrius Dantas, do “Globo”. Diz o jurista que a divulgação do vídeo obsceno pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) configura quebra do decoro e pode até mesmo justificar um processo de impeachment, com base na Lei 1.079 de 1950. Essa lei define os crimes de responsabilidade do presidente da República. E afirma que é crime contra a probidade na administração “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

Para Reale Júnior, não há dúvida a respeito no caso de Bolsonaro. Agora, se ele vai fazer o pedido de impeachment, são outros 500. Reale Júnior não é um advogado barato. Quem se dispõe a pagar pelo serviço dele?

Eu não, pois não tenho dinheiro e, muito menos, sei se seria o melhor para o Brasil que o presidente fosse substituído por seu vice, o general Hamilton Mourão. O precedente Michel Temer não foi dos mais animadores.

Talvez seja melhor que Bolsonaro vá se derretendo e, com ele, os que votaram nele. O Brasil tem tanta experiência com essas desgraceiras políticas que um dia acaba se recuperando. Não foi o que aconteceu depois de duas décadas de ditadura civil-militar iniciada em primeiro de abril de 1964?

Chegou a ser um país respeitado internacionalmente, nos tempos de Luiz Inácio Lula da Silva no poder. Vai-se transformando agora em escárnio mundial. Uma espécie de bobo grandão que se alegra ao ver suas riquezas sendo valorizadas – e levadas a preço de banana – pelos donos do dinheiro e dos canhões mundo a fora.

Sentem-se prestigiados, esses bobões, principalmente os das três armas.

O vídeo contendo atos obscenos tinha sido visto, previamente, por algumas centenas de pessoas, antes de ser publicado por Bolsonaro. “Com a divulgação, ele deu exposição a um fato restrito, sem nenhuma necessidade: ou seja, ampliou o ato. Algo que seria visto por algumas pessoas foi visto pelo Brasil inteiro”, afirmou Reale Júnior. Segundo ele, o crime de praticar ato obsceno em lugar público é considerado, no Código Penal, menos grave do que o de sua divulgação.

Na opinião do jurista, a publicação do vídeo nas redes sociais de Bolsonaro indica que a intenção do presidente não era a responsabilização dos autores do crime, mas fazer uma relação falsa entre obscenidade e Carnaval. O objetivo do presidente era desmoralizar os blocos que, durante o feriado, o criticaram.

A divulgação do vídeo foi notícia, segundo Carta Capital para jornais estrangeiros importantes como “The Guardian”, “Financial Times”, “New York Times”, para citar alguns.

A justificar tal destaque, o “New York Times” começou o texto dizendo, conforme tradução da Carta Capital: “O artigo que você está prestes a ler pertence a um vídeo com conteúdo sexual, publicado pelo presidente da quarta maior democracia do mundo.”

Cá pra nós, uma constatação de que tamanho não é documento. Quarta maior democracia do mundo?

Encerro com um trecho do “The Guardian” de Londres:

“Dissenting partygoers up and down the country have uploaded footage of huge crowds chanting obscenities at Bolsonaro under the hashtag #EiBolsonaroVaiTomarNoCu, which politely translates as #GetScrewedBolsonaro. The chants were heard even at the heart of Brazilian carnival, in Rio’s Sambadrome.”

Não é preciso traduzir…


Nota da Cris:

Sobre mais este deplorável momento originado no cérebro pouco avantajado do presidente do Brasil (mais um, dentre tantos outros, já listados aqui no blog), eu só consegui fazer um pequeno texto-desabafo, que postei na mesma rede social onde tudo começou. Teve grande repercussão e reproduzo aqui no blog também:

https://platform.twitter.com/widgets.js

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