‘Christopher Robin’: um reencontro com as crianças que moram dentro de nós

Vale a pena assistir: CHRISTOPHER ROBIN
Nota 7

OK, trata-se de um filme típico de “Sessão da Tarde”, com direito ao fim mais previsível de todos e a um clímax com solução meio sem graça (embora eu tenha lido que Henry Ford usou a mesma lógica do personagem ficcional de Robin na vida real, décadas atrás).

Mas, ainda assim, “Christopher Robin” é um filme precioso, que nos relembra valores importantes como o tempo com aqueles que amamos, ou o ócio criativo, ou que trabalho não é tudo na vida. É daqueles filmes que resgatam a infância, e coisas que, quando crianças, nos são tão caras, e vão se dissipando ao longo dos anos, até perder qualquer importância na correria da vida adulta.

Aí se incluem o brincar, a diversão, as amizades, a fantasia, a leveza, o ócio. Em detrimento do que nos atinge em cheio quando nos tornamos trabalhadores deste mundo capitalista selvagem (e estamos falando de um filme que se passa na Londres logo após a Segunda Guerra Mundial – ou seja, muito mais selvagem que hoje): a seriedade, a correria, a solidão, a exploração, o estresse, a exaustão.

Daí porque este filme, que resgata personagens populares da literatura infantil, como o Ursinho Pooh, é capaz de emocionar muito mais os adultos que as crianças.

Christopher Robin, o garotinho que passou a infância brincando com Pooh, o Tigrão, o Leitão, Ió, Can, Guru, o Coelho e o Corujão, cresceu. Quando estava apenas dando um adeus à infância, ainda acreditava que jamais se esqueceria de seus amigos fantásticos. Mas esqueceu-se. Tornou-se mais um adulto estressado, corrido, atolado de trabalho, sem tempo pra brincar com a filha, sério demais. Isso não precisa se passar nem em Londres nem nos anos 50 para gerar identificação. Esse Christopher Robin adulto somos todos nós.

Mas, quando ele volta a ter contato com os amiguinhos fantásticos, passa por uma daquelas revoluções internas que pouca coisa é capaz de causar.

“Hoje é que dia?”

“É hoje.”

“Meu dia favorito.”

Esse diálogo aparece mais de uma vez no filme. Para dar aquela porrada no expectador da correria, no adulto que somos, e nos lembrar que não importa o dia do calendário, importa que é hoje – e isso é só o que temos.

“Não fazer coisa alguma muitas vezes nos leva ao melhor tipo de alguma coisa.”

Esta frase também permeia o filme, nos lembrando como as crianças gastam seu tempo com o ócio, com o lúdico, com o brincar – e não só com os estudos, como muitos pais querem – e como essa forma de passar o tempo muitas vezes leva às ideias mais geniais. Não é só o pequeno Christopher Robin e Ursinho Pooh que defendem isso, temos aí o sociólogo italiano Domenico de Masi para nos provar que isso faz sentido.

O resultado deste filme encantador são quase duas horas de frases como estas, que sacodem nossa criança interna, que despertam lágrimas do adulto externo, e que não são voltadas para um público infantil, mas para os pais e mães dessas crianças. Afinal, para elas (espera-se), esta filosofia já é o óbvio ululante. É como em Mary Poppins e em tantos outros filmes, que teoricamente foram feitos para os pequenos, mas que despertam mesmo a emoção dos grandalhões. E que bom que existem!

Precisamos de mais Ursinhos Pooh e Tigrões no mundo, para despertar todos esses caretíssimos e cansadíssimos Christopher Robins que a sociedade criou e deixou crescer demais.

 

P.S. Pra melhorar tudo, o baita ator Ewan McGregor é protagonista do filme, que também tem belíssima fotografia.

Assista ao Trailer do filme:

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